Alta costura e viagens
Igleide Araújo de Almeida, 59, passou vários apertos com sua poodle micro-toy Flavinha. O fato da cadelinha ter apenas 28 centímetros de altura e fazer pouco barulho facilitou a entrada nos hotéis fazendo as vezes de um bebê no colo recoberto por uma manta. Nascida no Dia Internacional da Mulher de 1999 e falecida sete anos depois, Flavinha viajou muitas vezes com a sua dona e deixou muitas lembranças. Depois de uma experiência em São Joaquim (SC), em 2004, quando as duas foram obrigadas a ficar na área de serviço de um hotel que não aceitava animais, Igleide, cansada do tratamento das hospedarias, decidiu começar a lutar pela causa.
Aposentada pelos correios, abriu, naquele mesmo ano e a contragosto da família, a Nathuna Tour, agência de viagens em que logo criou o Dog Tour, serviço que permite os donos cruzarem o País acompanhados de seus pets. ''O pessoal da área me achou maluca. Como alguém abre uma agência sem saber vender uma passagem?''. A dificuldade inicial foi convencer empresas de ônibus a aceitar transportar animais e os hotéis a recebê-los. ''Em 1999, não havia um hotel que topasse. Hoje, tenho um cadastro de 879. Muito pouca gente sabe que pode e deve viajar com seu amigo.'' Para comemorar a façanha, Igleide lançou neste mês o Guia 4 Patas Dog Tour, a venda nas bancas por R$ 16,99, em que cita 500 desses estabelecimentos.
Nas viagens os ônibus são forrados e os animais vão no colo do dono ou na poltrona ao lado. ''Eles até passeiam um pouco, mas a calmaria surpreende as pessoas. Não tem briga. Mas é claro que cada um tem de ter o máximo de cuidado para que o seu filho não atrapalhe a viagem do filho do outro.'' No feriado de Independência, os clientes pagaram R$ 500 (ou R$ 550 para poltrona exclusiva para o pet) para viajar de ônibus para Corupá (SC), com duas diárias de hotel inclusas. O próximo projeto - depois de expandir a proposta para São Paulo - será o Dog Cruise, uma viagem de navio com os donos e seus pets. ''Mas não é só para cachorros não'', lembra a dona da agência que já embarcou cobras e iguanas.
Fashion
Igleide também é dona da Flavinha Fashion, uma grife de alta costura para cachorros. Produzidas em Curitiba nas linhas fashion, casual, temática, moda íntima e praia, as peças são vendidas a preços nada econômicos. Igleide conta que um vestido para sair é vendido por R$ 180 em um petshop na Praia de Ipanema, no Rio de Janeiro. (R.U.)





