Alguns ‘‘futurólogos’’ da economia estimam que, dentro de dez anos, os trabalhadores com carteira assinada - que hoje representam cerca de 50%, da população economicamente ativa - passarão a representar apenas entre 10% e 20% do universo dos trabalhadores. Some-se isso a uma série de outras mudanças no panorama econômico e à vontade - que todo mundo já teve, pelo menos uma vez - de se tornar um empreendedor, e o resultado é outra previsão: o número de micro e pequenas empresas tende mesmo a crescer.
Os analistas concordam que cada vez mais as cadeias de pequenos substituirão as grandes empresas. ‘‘Trocar um custo operacional alto pelo custo enxuto de uma pequena empresa torna o produto mais competitivo, num mercado cada vez mais disputado’’, analisa o coordenador dos Balcões Sebrae no Paraná, Celso Augusto de Souza.
Diante desse panorama, que tipo de negócios os conhecedores do assunto indicam como mais promissores? Na verdade, ninguém fornece fórmulas prontas. ‘‘Tudo depende...’’, dizem, de uma série de fatores: é preciso ter espírito empreendedor, gostar e conhecer o que faz, estar disposto a trabalhar muito, conseguir preços competitivos, planejar...
Mas existem algumas tendências. Nos Estados Unidos, por exemplo, as seis primeiras colocadas no ranking das 200 maiores franquias do País são do ramo de alimentação - dado que revela um mercado em expansão.
Outro ramo sempre citado como promissor é o de serviços. Mas serviços de qualidade, especializados. ‘‘O cliente hoje procura qualidade e praticidade e quem puder oferecer um serviço profissional, especializado, com certeza tem grandes chances de sucesso’’, diz o consultor Ricardo Carneiro Ribeiro, que recentemente deu treinamento para ex-funcionários do Banco do Brasil e da RFFSA, interessados em montar negócios com o dinheiro obtido nos programas de demissão voluntária.
Para citar um exemplo, Ribeiro diz que o momento atual tende a condenar à extinção aquele marceneiro da família, que faz tudo, para privilegiar o especialista em armário embutido ou móveis para a cozinha. Outro ramo que, segundo ele, tem crescimento acelerado, é o de diversões.
‘‘Há uma tendência mundial de valorização do setor de serviços’’, concorda o presidente da Confederação Nacional de Entidades de Micro e Pequenas Empresas Industriais, Ercílio Santinoni. Ele dá outra dica, voltada especificamente para o Paraná: ‘‘O Estado ainda não tem uma produção grande na agroindústria e beneficiar frutas, legumes pode ser um bom negócio’’. Segundo Santinoni, o ramo é favorecido pela abundância de matéria-prima no Estado e por não exigir mão-de-obra especializada.
FranquiaOutro aspecto que pode ser detectado como tendência é a expansão das franquias. O consultor Ricardo Ribeiro diz que, em 1992, o Sebrae atendia uma média mensal de 30 pessoas interessadas em abrir uma franquia. Em 1995, no último mês de trabalho de Ribeiro na entidade, foram 670.
As vantagens do sistema de franchising são conhecidas. Enquanto entre as micro e pequenas empresas próprias a taxa de mortalidade é de 80% no primeiro ano, compara Ribeiro, no sistema de franquias a taxa de mortalidade é de apenas 3% nos 10 primeiros anos.
O principal atrativo da franquia para o candidato a empreendedor é que ele pode contar, de modo geral, com a experiência do franqueador, que já correu riscos e testou o negócio. Mesmo assim, os especialistas recomendam cuidado: é preciso conhecer bem o franqueador e saber o grau de segurança que ele oferece. Existem muitas empresas que partem para a abertura de franquias em busca do crescimento rápido, mas sem uma base segura.
Mas seja tratando de franquias ou de negócios próprios, o que os especialistas dizem, de modo geral, é que não existe negócio bom ou ruim por si só. O sucesso ou o insucesso estão condicionados a uma série de fatores que precisam ser analisados com cuidado. Como no exemplo usado por Celso de Souza, do Sebrae: ‘‘Não é porque todo mundo come pão que abrir uma panificadora é garantia de sucesso. Além de planejamento, dedicação, persistência e interesse no ramo, é preciso oferecer sempre um diferencial em relação à concorrência’’.

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