Para o presidente Fernando Henrique Cardoso alcançar a maior votação de toda a história universal, nenhum detalhe está passando despercebido. Uma ação conjunta do Palácio do Planalto com o comitê da reeleição está cuidando de minar as bases petistas existentes desde a região Norte do país até o extremo Sul. Todo esforço será pouco para o presidente-candidato chegar ao seu objetivo, pensam os estrategistas de campanha. ‘‘Se na véspera da eleição o presidente tiver 99% dos votos e Lula 1%, vamos lutar até o fim para conseguir chegar a 100%’’, revela um dos coordenadores, deixando escapar o clima que hoje se respira dentro do comitê.
Um bom exemplo disso, aconteceu há algumas semanas. O ministro dos Transportes, Eliseu Padilha, foi mandado para a região de Pelotas, localizada na metade Sul, do Rio Grande do Sul. Não era à toa que o ministro estava indo para o local - uma região com 500 mil eleitores distribuídos em 21 cidades. Pesquisas mostravam que o candidato do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, estava liderando nas intenções de voto.
Padilha não se fez de rogado. Passou dois dias numa intensa maratona de entrevistas, contatos políticos e palestras, que foram dadas até em ambientes improvisados, como numa danceteria de bairro popular. Na ponta da língua, o ministro só tinha um discurso: o anúncio de três grande obras para a região que foram incluídas no Programa Brasil em Ação 2 e que juntas somam investimentos na ordem de R$ 700 milhões.
‘‘É bom esclarecer que para essas obras acontecerem eu estou contando que no próximo ano Fernando Henrique será o presidente e eu continuarei sendo ministro dos Transportes’’, avisava Padilha para uma platéia de 600 lideranças locais, deixando implícito o seu recado.
Para se ter uma idéia do esforço que foi feito para mostrar a presença do Governo Federal na região onde Lula liderava, das 10 obras do Brasil em Ação 2 sob responsabilidade do Ministério dos Transportes, três serão executadas lá: a duplicação de duas rodovias federais na região, além do aprofundamento do calado do Porto de Rio Grande.
Em cada Estado os estrategistas da campanha de Fernando Henrique estão usando uma solução diferente para tirar votos de Lula e transferi-los para o ninho tucano. No Acre, por exemplo, a solução foi o PSDB se aliar ao candidato petista ao governo estadual, Jorge Viana. Isso acabou impedindo que Viana ficasse livre para fazer campanha para Lula. E pior. Em alguns casos, ele tem que ficar ouvindo constrangido e calado, discursos em favor de Fernando Henrique.
Foi o que aconteceu recentemente, na cidade de Sena Madureira, terceiro maior colégio eleitoral do Acre. Ao chegar na cidade para participar do comício de lançamento da candidatura a deputado federal do ex-prefeito da cidade, o tucano Normando Sales, Jorge Viana teve que subir num palanque cheio de bandeiras da candidatura do presidente Fernando Henrique. Pior, não pode pedir um voto para Lula.FHC fez comícios em várias cidades, inclusive do interiorGérson Camarotti
Agência Estado

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