Israel Reinstein
Conhecer a sua cidade parece uma coisa óbvia, mas existe em Curitiba pessoas como a dona Eulalia Medeiros, 56 anos, que poucas vezes saem de seus bairros. Vivendo 40 anos no Bacacheri, ela disse que desconhece os parques e alguns shoppings da cidade. ‘‘Vivo no bairro há muito tempo e nunca precisei ir muito além do centro’’, comenta, acrescentando que o Parque Barigui e o Shopping Mueller foram os locais mais distante que percorreu na cidade.
O presidente do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc), Luiz Hayakawa, considera que casos como o de dona Eulalia não são raros. ‘‘A Secretaria de Educação procuram levar as crianças de escolas de periferia para conhecer os parques, porque elas não conheciam a cidade e quase não saem de seus bairros’’, diz.
Hayakawa informa que este tipo de situação acontece muito em bairros da periferia. ‘‘Tem muita gente que vem do interior, de cidades que são menores que o ‘centro’ de cada bairro’’, afirma. ‘‘Por isso, eles entendem que dispõem de mais infra-estrutura que as cidades de origem’’, complementa.
Segundo a diretora do Departamento do Governo, Teresa Elvira Gomes de Oliveira, existem diversos bairros da cidade com estrutura semelhante a uma cidade. ‘‘Cajuru, Portão, Santa Felicidade, Bacacheri, Tarumã, Pilarzinho, Campo Comprido são alguns exemplos de bairros, em que a comunidade conta com quase todos os serviços essenciais’’, afirma. Teresa ressalta que o Boqueirão é um caso a parte, porque pode ser considerado maior que diversas cidades do interior’’, informa.
A diretora da prefeitura afirma que normalmente a estrutura desses bairros ‘‘independentes’’ se forma em algumas ruas. ‘‘Marechal Floriano, Kennedy e República Argentina se formaram sozinhas e depois se consolidaram entre a comunidade’’, diz.
Teresa diz que a formação desses agrupamentos não é ruim para a cidade. Ela explica que a estrutura de bairro evita uma superdensidade do Centro da cidade. Com base nesse pensamento, foram instaladas as ruas das cidadania. ‘‘Que complementam a demanda de serviço da comunidade’’, afirma.
Ela diz que atualmente algumas dessas ruas estão se especializando, como a venda de autopeças ou carros. Mas Teresa acrescenta que ainda mantém sua característica principal – que é manter o público em seu bairro.
Melhor para dona Eulalia. ‘‘Assim, a gente contiuando compra de tudo no Bacaheri’’, lembra dona Eulalia. A dona de casa diz que vai continuar prestigiando o seu bairro, sendo fiel ao comércio local. ‘‘Mas não custa nada a gente conhecer o resto da cidade, visitando outros bairros, que devem ser bonitos’’, afirma.

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