Mesmo com a ajuda do Recoop, no entanto, Gallassini acredita que alguns cooperativas não conseguirão se salvar da crise. ‘‘Muitas não têm mais volta e deverão se fundir numa cooperativa maior e mais sólida para poder competir numa economia global’’, diz. Para ele, essa tendência existe em todo o mundo e em todos os setores.
Crise à parte, a Coamo não vai precisar da ajuda do plano Recoop lançado pelo governo federal. Gallassini atribui o privilégio a um detalhe imposto pela cooperativa já em seu estatuto de fundação, em novembro de 1970. ‘‘A Coamo teve a sorte de quando elabarou seu estatuto, elaborou no sentido de sempre se capitalizar’’, conta. ‘‘Isso é uma vantagem grande. Reunimos os agricultores numa empresa para ganhar dinheiro’’.
O presidente conta que a Coamo sempre teve sobras, sempre as distribuiu entre os associados e sempre se capitalizou bem. ‘‘A Coamo fez fundos de desenvolvimento que foram capitalizando a cooperativa ao longo do tempo’’, destaca. ‘‘Aliado a uma administração profissionalizada, isso resultou em sucesso. Superamos todas as dificuldadades. O associado da Coamo hoje é uma agricultor privilegiado’’.
PaternalismoSe o governo não ajudou muito, Gallassini lembra que muitas cooperativas também pecaram pelo paternalismo. ‘‘São benefícios para poucos associados. Poucos usam, mas todos pagam’’, explica. ‘‘A empresa pensa que está fazendo um bem e está fazendo um mal, porque os custos ficam mais elevados e ela não consegue competir no mercado. O paternalismo é uma anomalia dentro do cooperativismo e é muito fácil as cooperativas caírem nesse erro’’.
O problema, ressalta o presidente da Coamo, é que algumas cooperativas dão mais ênfase ao social do que ao econômico. ‘‘Isso é um erro muito grande’’, diz. ‘‘Podemos fazer o quanto de social quisermos, mas o econômico tem que permitir’’. De acordo com Gallassini, um dos segredos da Coamo é trabalhar com o social para aumentar a renda dos associados. ‘‘A assistência técnica é social, mas é um social para aumentar a produtividade’’, explica.
A Coamo preferiu adotar o sistema de cooperativa-empresa. ‘‘Fomos muito criticados, no começo, por isso. Achavam que uma cooperativa deve ser todo mundo bonzinhos, uma ‘‘grande família’’, administrada de qualquer jeito’’, lembra Gallassini. ‘‘Só que não é bem isso. Quem fez assim, teve problema. Nós fizemos diferente. Se num período fomos criticados, hoje somos vistos como modelo no Brasil e até em outros países.
‘‘Estamos no caminho certo’’, conclui. ‘‘A tendência do cooperativismo é se profissionalizar e adotar uma adminitração preparada para administrar uma grande empresa’’, explica. E põe grande nisso. No ano passado, a Coamo rompeu a casa do R$ 1 bilhão em receitas globais. ‘‘Só que tivemos problemas na soja, com uma redução de cerca de 30% no preço, o que pode refletir no faturamento. Mesmo assim, acho que vamos chegar ao redor de R$ 1 bilhão’’. (S.S.)

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