Algodão trouxe imigrantes nordestinos
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segunda-feira, 30 de abril de 2012
Wilhan Santin<br>Especial para a Folha 
Se os japoneses tiveram inegável importância na história de Assaí, os migrantes nordestinos também deram grande contribuição para o desenvolvimento do município, principalmente a partir da década de 1950, quando notícias sobre o sucesso por ali do algodão começaram a chegar ao nordeste brasileiro. Com a propaganda que se fazia do Norte do Paraná, que propiciava fartura de empregos e a possibilidade de se adquirir terras com condições facilitadas de pagamento, muitos de vários estados do Nordeste resolveram tentar a vida na terra vermelha.
Em Assaí, de fato se necessitava de muita mão de obra para plantar, colher ou beneficiar o algodão. Dessa forma, famílias inteiras foram chegando.Um representante do sucesso que os nordestinos atingiram em Assaí é Severino Félix Pessoa, que chegou a ser prefeito e deputado estadual. Aos 83 anos, apesar de alguns problemas de saúde, ele conta com boa memória para narrar sua saga e permanece irrestritamente apaixonado pelo algodão, mesmo com o fim das lavouras do ouro branco.
Em 1954 eu estava casado e já tinha três filhos. Era agricultor e comerciante de gado no município de Limoeiro, em Pernambuco. Um amigo me mostrou uma fotografia de uma plantação de algodão em Assaí. Fiquei encantado. Na mesma hora resolvi vir para cá, relembra.
Muito outros nordestinos fizeram o mesmo caminho de Severino. De 1954 a 1959 ele trabalhou fazendo serviços gerais em lavouras alheias, juntando dinheiro, até comprar seus primeiros 6,5 alqueires. O rendimento era tamanho que chegou a plantar 2.122 alqueires de algodão.
Questões macroeconômicas, como a abertura da economia, sobretudo no início da década de 1990, e uma praga conhecida como bicudo - década de 1980 - prejudicaram irreversivelmente a cotonicultura em Assaí.
Hoje, Severino Félix Pessoa planta soja, trigo e milho, mas conta que vendeu a maior parte das terras que tinha no município para investir na criação de gado no estado do Mato Grosso. Mesmo assim, não deixa de dizer que sente muita tristeza quando lembra dos algodoeiros. Lamenta que tenham acabado.
Prefeito entre 1983 e 1989, fala com muito carinho da cidade que o acolheu e tantos outros nordestinos. Simplesmente, considero minha terra natal, apesar de não ter nascido aqui. Vi nessa cidade, um grande e bonito processo de reforma agrária, com terra disponível mesmo para quem só tinha o seu trabalho para comprá-la. Consegui criar 11 filhos com o que esta terra me deu. E vale dizer que aqui todas as raças, cores e credos conviveram e convivem em paz. Todas as colônias sempre se deram bem, observa.


