Algo de diferente no reinado de Momo
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009
Bia Moraes<br>Colunista da Folha 
Durante todos os dias do Reinado de Momo, a capital paranaense foi tomada por tribos diferentes desses que estamos acostumados a ver durante o Carnaval. Além da já consagrada Zombie Walk, chamou atenção as tribos de roqueiros que tomaram as ruas do centro. A impressão é de que o Carnaval em Curitiba tirou da toca - ou das catacumbas - todos os roqueiros ao mesmo tempo. Eles deram o tom do feriadão na cidade.
Começamos pelos zumbis. Primeiro fez um sol de derreter miolos. Depois, caiu chuva capaz de lavar todo o sangue dos mortos-vivos. Finalmente, os céus colaboraram. Perto das 16 horas de domingo de Carnaval, a caminhada de zumbis teve como cenário uma Curitiba nublada e não muito quente - clima perfeito para combinar com o ponto de encontro, em frente ao Cemitério Municipal. Dali partiu a Zombie Walk 2009, parte dos eventos do Psycho Carnival deste ano na cidade, em direção às Arcadas de São Francisco, onde uma bateria de shows de rock aguardava a turma.
Perto de duzentas pessoas compareceram fantasiadas, mas havia outro tanto de gente sem indumentária - apenas dispostos a acompanhar a farra. Bom humor não faltou. Mortos-vivos de todo tipo, tamanho e qualidade se encontraram numa boa. Tanto o número de participantes quanto os looks de zumbis cresceram e melhoraram em comparação a Zombie Walk do ano passado. O fortalecimento do próprio Psycho Carnival ajudou a bombar a caminhada dos mortos-vivos. Este ano, o evento de carnaval alternativo de Curitiba recebeu gente de diversos Estados.
Sinais
Identificar os participantes do Psycho Carnival não é difícil. Basta ter pelo menos uma das seguintes características: roupa preta, corte de cabelo esquisito, tatuagens, alguma coisa que lembre os anos 50 ou o movimento punk, pele branca, lata de cerveja na mão. Se a criatura tiver tudo isso junto, certeza que é profissional - se não tem uma banda, está formando uma.
Muitos deles estavam assim, com seu look "normal", na Zombie Walk, enquanto outros capricharam na produção. Caso dos amigos Raissa, Marcy, Elton, Ane e Jéferson. No grupo, só Raissa era novata no evento dos mortos-vivos. Os demais participaram das edições anteriores e mandaram ver no visual para a edição 2009. Jéferson fez buracos ensanguentados na camiseta, como se tivesse sido baleado. Ane estava com um facão enfiado no crânio.
Marcy pegou o vestido "mais detonado" do guarda-roupa, rasgou-o e, para dar ainda mais veracidade ao personagem de "pin-up destruída", enfiou uma agulha no seio esquerdo. Elton não ficou para trás e tascou agulha no lábio inferior. Tudo complementado por muito sangue cenográfico - o velho e bom xarope de groselha.


