Se para algumas profissões mais antigas o progresso de Londrina não representou um entrave ao desenvolvimento, uma delas, especificamente, não pode dizer o mesmo: a alfaiataria.
Dois desses profissionais ouvidos pela Folha contam que o ramo já foi próspero, mas hoje tem sido difícil competir com as confecções de roupas prontas. Jardivino Pereira de Carvalho, mais conhecido como Praça, 75 anos, arrisca um palpite nada otimista: ''Quem não tiver roupa para alugar corre o risco de ficar sem trabalho. Os alfaiates em Londrina estão em vias de extinção'', lamenta.
Na parede da casa de madeira da Vila Casoni (Zona Leste), ele mostra junto à máquina de costura de 1948 as marcas de uma época em que o alfaiate era profissional indispensável, e, em alguns casos, até de luxo. São os certificados da antiga Escola de Corte de São Paulo, localizada em Campinas, interior do Estado, pela qual obteve o diploma de ''cortador técnico''.
''Hoje vivo de aposentadoria. Se vivesse só como alfaiate, teria que carpir quintal dos outros para sobreviver'', diz e garante que costura algumas peças só para não ficar à toa. ''Tenho poucos clientes, alguns há 50 anos, e outros que, mesmo advogados, abandonaram a calça social e hoje só vestem bermudas'', relata. Praça veio de Avaí (SP) em 1952.
Outro veterano na arte do corte e costura para homens, Luiz Petrin, 64, não acredita tanto na extinção da alfaiataria, mas na adaptação ao mercado, mesmo com a queda nas vendas. Há 45 anos no ramo, ele veio para Londrina de Presidente Prudente (também no interior paulista) em 1946. ''Época boa foi a de 70 a 85, mas com a chegada das grandes confecções, diminuiu bastante o movimento. Hoje, costuro até para mulheres'', comentou. De acordo com ele, alguns compradores específicos também não devem sair de moda tão cedo: ''É gente baixinha, gorda ou alta demais. Para esses, nem sempre as lojas têm a solução'', avalia. (J.G.)

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