Além dos rios, uma bela cidade
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segunda-feira, 10 de dezembro de 2012
Carolina Avansini<br>Reportagem Local 
Quando o paulista George Craig Smith partiu de Ourinhos, no interior de São Paulo, chefiando uma caravana de 12 desbravadores com destino à terra roxa do Norte do Paraná, não imaginava que aquele espigão formado por um pedaço de terra entre as bacias dos ribeirões Jacutinga e afluentes, Lindóia e Quati (na atual zona norte de Londrina) e o Cambé (zona sul) se transformaria na área central da sede de um promissor município que, aos 78 anos, concentra mais de meio milhão de habitantes.
Não passava pela cabeça de Smith, também, que antes de completar 50 anos aquela cidade teria tantos moradores que seria necessário ultrapassar os limites naturais dos rios, ao norte, para construir novos bairros capazes de abrigar os trabalhadores rurais que deixavam as lavouras de café em busca de oportunidades na zona urbana. Os pioneiros desbravadores não poderiam adivinhar que, a oeste, Londrina e Cambé um dia se encontrariam de tal forma que não seria mais possível dizer onde termina uma cidade e começa a outra.
Tampouco apostariam que as matas longínquas ao sul dariam lugar a um grande shopping center que valorizaria grande parte daquela região, agraciada ainda com um lago artificial formado pelas águas do ribeirão Cambé. A maior surpresa, porém, diz respeito ao lugar onde pioneiramente se instalaram. A Estrada dos Pioneiros, ao leste, que levou nossos heróis até o local conhecido como Marco Zero, se transformaria em um dos principais eixos para o desenvolvimento de Londrina no século 21.
A ocupação de Londrina teve influência das características naturais da região, formada por muitas bacias hidrográficas, explica o professor Fábio César Alves da Cunha, doutor em Geografia Urbana e professor adjunto do departamento de Geociências da Universidade Estadual de Londrina (UEL).
Foi o espigão entre as bacias dos ribeirões Jacutinga e Cambé que norteou o trajeto da ferrovia São Paulo-Paraná e, naquele momento, começou a definir como seria o traçado urbano de Londrina. O crescimento da população, a partir da década de 1960, provocado pela transição da cafeicultura para as culturas temporárias (soja, milho e trigo), impôs a necessidade de moradias para todas aquelas pessoas que deixavam a zona rural em busca de oportunidades. A partir dos anos 60, Londrina começa a ganhar uma média de cem mil habitantes por década, destaca Cunha.
Essa nova realidade provocou o rompimento das barreiras naturais desenhadas pelos córregos. Conjuntos habitacionais estabelecidos além das bacias que formavam o espigão principal do município traçaram os novos limites da cidade. Na zona norte, um projeto do Banco Nacional de Habitação deu início, nos anos 1970, aos chamados Cinco Conjuntos, que expandiram para um conglomerado de bairros que hoje concentra 25% da população de Londrina.
A partir dos anos 1980, conjuntos habitacionais como Cafezal, Ouro Branco e União da Vitória definiram a zona sul, que depois ganhou mais uma área nobre determinada pela construção do Shopping Catuaí, inaugurado no início da década de 1990, e valorizada pelo lago Igapó.
Conforme o professor, dentro do atual contexto de desenvolvimento de Londrina, zona norte e zona sul ainda possuem espaço para crescer. O mesmo não acontece na zona oeste, onde a cidade já encontrou com Cambé. Na região leste, o especialista vê um panorama diferente. A região, segundo ele, começou agora a receber atenção e deve ter uma acentuada valorização nos próximos anos. A instalação da Universidade Federal Tecnológica do Paraná (UFTPR), entre outros empreendimentos, constitui um marco para o desenvolvimento desta zona na cidade, visto que projeta um novo vetor de crescimento em direção a Ibiporã, ao longo da Estrada dos Pioneiros, por onde, ainda hoje, passa a mesma ferrovia que trouxe o esperado progresso para o município.
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