Além do país do futebol
Fábio Galão
Equipe da Folha
Todo mundo sabe que o Brasil é o país do futebol. São poucos os esportes que furam esse bloqueio, e ainda assim apenas de vez em quando, como o vôlei. Entretanto, milhares de pessoas praticam modalidades que passam longe dos olhos do grande público e da mídia. Em Curitiba e região, muita gente prestigia esportes pouco conhecidos.
É o caso do pessoal do Clube Concórdia que pratica o punhobol. O técnico Jorge Schror, que também treina a Seleção Brasileira juvenil da modalidade, relata que o Sul do Brasil, especialmente Santa Catarina, concentra muitas equipes.
É difícil o caminho para divulgar o punhobol no Brasil. Aqui existe a cultura do futebol. O vôlei ainda conseguiu um espaço... Temos a esperança de organizar o esporte. Existe essa perspectiva de uma lei de incentivo nos moldes da Lei Rouanet (direcionada para a cultura), comenta Schror.
O técnico explica que o punhobol é disputado por duas equipes de cinco jogadores cada, num campo de 20 metros de largura por 50 de comprimento, com uma rede no meio. A bola deve ser atingida com o punho fechado, e admite-se a cada golpe que ela bata uma vez no chão. O vôlei veio do punhobol, que era praticado desde a Idade Média na Itália, mas se difundiu mais a partir da Alemanha. Outros países fortes no esporte são Áustria e Suíça, relata Schror.
Ali Nabi Jezzini, presidente da Federação Paranaense de Hóquei, afirma que a modalidade que pratica também enfrenta dificuldades no Brasil em razão do desconhecimento. Em Curitiba, falta espaço para a prática de hóquei. Tem gente que fala que estraga a quadra, mas os patins fazem os mesmos riscos que um tênis de borracha comum, explica Jezzini, que coordena treinos de hóquei na versão in-line (o nome vem dos patins, que têm rodas em linha) em dois locais na região: o Colégio Estadual Senador Manoel Alencar Guimarães, na capital, e uma quadra em Quatro Barras (Região Metropolitana), cedida pela Secretaria de Esportes daquele município.
Outro problema apontado por ele são os custos de importação para equipamentos. Mas nenhum contratempo se iguala à falta de divulgação. O Brasil foi duas vezes campeão sul-americano de hóquei. Os jornais dão esse tipo de notícia em canto de página, diz Jezzini.
Paulo Bastianini, professor de badminton em Curitiba, acredita que as pessoas não podem ter preconceito contra nenhum esporte. Pode acontecer de uma criança não dar certo em um esporte mas ter um bom desempenho no badminton, por exemplo, argumenta.
A divulgação é um trabalho de formiguinha. Você vem aqui, faz uma reportagem sobre badminton, alguém ouve falar, se interessa. Aos poucos o esporte vai se difundindo. É uma modalidade que é apropriada para a escola. Você pode oferecer uma novidade para os alunos a um custo reduzido, diz Bastianini, sobre a modalidade disputada com raquetes e peteca numa quadra de 13m40 por 6m10, com uma rede de 1m55 de altura.
O aposentado Minoro Ikematsu pratica o gate ball, esporte de origem japonesa. Me convidaram para jogar e eu gostei. Não machuca, não tem perigo de contusão. Por isso é muito praticado por aposentados, explica.
No gate ball, dez jogadores são divididos em duas equipes e, com os tacos, devem acertar os portões com bolas que contêm o número respectivo de cada jogador. Cada um deve esperar a sua vez de tentar a tacada. Três portões são dispostos num percurso em sentido anti-horário e valem um ponto cada. A meta final, um pino, vale dois. Além de acertar os portões, os jogadores buscam afastar as bolas dos adversários e aproximar as dos companheiros. É um jogo que envolve muita estratégia.
Tem que usar a cabeça,
conta Ikematsu.
O aposentado diz que, embora o esporte seja ligado à comunidade japonesa, o gate ball está disponível para todo tipo de pessoa. Existe um campo público na Praça Ouvidor Pardinho (Região Central de Curitiba). Quando jogo lá, sempre convido o pessoal que está assistindo. Mas pouca gente aceita participar, lamenta.





