'Além do bem ao próximo, faz bem para você mesmo', diz doador
Empresário, dona-de-casa, religioso. O tipo de ocupação não faz a menor diferença, quando todos têm o mesmo propósito: o de doar um pouco de si para fazer o bem a terceiros. A maioria dos doadores voluntários do Banco de Sangue do Hospital de Clínicas (HC) da Universidade Federal do Paraná (UFPR), em Curitiba, tem idade acima de 40 anos e já passou por alguma experiência próxima com pacientes que precisaram fazer transplante de medula óssea ou que tiveram câncer.
O empresário Messias Ramos de Lima, de 49 anos, enquadra-se nesse perfil. Decidiu ser doador voluntário, por volta dos 33 ou 34 anos, quando um parente de sua mulher precisou receber sangue. Desde então, ele comparece, periodicamente, a um banco de sangue para fazer a doação. Ciente da importância da iniciativa, Lima chegou, até mesmo, a usar a experiência na promoção de eventos, para organizar uma campanha de conscientização. O resultado: 377 pessoas doaram sangue e 48, medula óssea.
Além dele próprio, Lima convenceu a mulher, o filho e a sobrinha a serem doadores voluntários. ''Além do bem ao próximo, faz bem para você mesmo. É uma terapia, quando se começa a perceber que o resultado dos seus gestos podem fazer a diferença para a vida de outra pessoa'', destacou o empresário.
O que moveu o religioso Cristiano Silva, de 22 anos, a se transformar em doador voluntário de plaquetas foi a necessidade de ajudar um amigo, cujo sobrinho sofre de leucemia. Ele sabe que, indiretamente, acaba ajudando no tratamento de outros pacientes, que também se beneficiam de suas doações mensais. ''As pessoas são muito cômodas. Ninguém gosta de se mexer, de se doar'', criticou Silva. E aconselha: ''Quem tem saúde deve sair do seu mundinho e fazer a sua parte, doando um pouco de vida. Isso faz muito bem''.
A dona de casa Débora Antunes Conceição de Paula, de 29 anos, inspirou-se no irmão que fazia doações frequentes de plaquetas para uma prima que tinha leucemia. ''Decidi começar a doar, também, pelo carinho, pela vontade de ajudar'', contou. Ela acredita que, além do comodismo, as pessoas deixam de ser doadores por receio dos procedimentos. ''Estou tentando convencer minha cunhada a vir comigo e ela me diz que tem medo. Mas, não é nenhum bicho de sete cabeças. É tranquilo e não dói. É só uma questão de se acostumar'', avisou Débora. (A.L.)





