Além de beleza, muita diversão no Igapó
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segunda-feira, 08 de janeiro de 2007
Giovana Kindlein<br> Editora 
Dá para entender por que o ex-presidente do Aeroclube de Londrina Elvis Brantagani, o médico Roberto Matsumoto e o representante de carros importados Nabih Bou Rou Geille gostam tanto de passear de jet ski no Lago Igapó I. A brisa bate no rosto e entra pelas narinas, os respingos de água refrescam a pele sob o sol escaldante de verão, e a beleza da natureza às margens do lago encantam a visão e alegram o espírito. Navegar é um incomparável prazer no meio de tanta terra no Norte do Paraná.
O passeio de jet ski é uma rara delícia. É um momento em que todas as preocupações, pendências, iras, mexericos e tumultos ficam de lado. A aventura começa no embarque, com o jet ski já dentro d'água, ao lado do ancoradouro do Iate Clube de Londrina.
Colocando os pés com cuidado na pequena plataforma, de aproximadamente 20 centímetros, o jet ski aderna pouquíssimo, somente o tanto para sentir a temperatura fria da água do lago. Mesmo assim, a possibilidade de cair na água assusta qualquer iniciante no esporte náutico. Passado esse instante, é só relaxar e apreciar a velocidade e a beleza da natureza em volta. ''Mais importante do que andar de jet é entrar em contato com a natureza'', diz o médico Roberto Matsumoto, que há seis anos pratica o hobby semanalmente, como se fosse uma partida de futebol.
Pouco a pouco, a náutica vai ganhando novos adeptos. Do Iate Clube de Londrina são 15 aficcionados, ''malucos pelos jets mesmo'', reforça o ex-presidente do Aeroclube de Londrina e atual diretor náutico do Iate Elvis Brantagani. ''Estou apaixonado pela náutica e quero trazer todo mundo para cá'', idealiza ele, que há pouco mais de um ano adquiriu seu próprio jet. O clube está aberto para receber novos aficcionados.
Embora os jets sejam populares em toda a orla marítima brasileira, não são embarcações baratas. Então, quem deseja tornar-se dono de um deles, é bom saber que eles custam entre R$ 6 mil e R$ 65 mil. Também é necessário obter a carteira de arrais amador, concedida pela Capitania dos Portos do Estado.
José Luiz Ríspoli - que conquistou em dezembro de 2006 o segundo lugar na categoria Ski Super Stock da Copa Santa Catarina - e Brantagani planejam realizar nesta temporada o 1º Open Jet Ski - Iate Clube de Londrina. A intenção da dupla é reunir 50 pilotos em três modalidades diferentes do esporte.
A data programada inicialmente seria para o último fim de semana deste mês, nos dias 27 e 28. Mas Brantagani e Ríspoli decidiram adiar a competição até que o número de pilotos se aproxime do total estimado.
Vencedor em diversos campeonatos no Sul do Brasil, Ríspoli é um grande incentivador da navegação no Igapó I. ''É um lago artificial. Ele foi criado para a recreação'', argumenta o piloto londrinense que dificilmente deixa de participar de uma competição. ''Seria triste deixar o lago sem náutica, e uma heresia dizer que temos poluição por causa das embarcações'', diz ele, contrariando posições de alguns ambientalistas que preferem ver o lago sem navegação a motor. Na legislação municipal não há disposição em contrário.
Ríspoli e Brantagani discordam da alegação de que as lanchas e jets poluem as águas com resíduos de combustível. ''Usamos óleo biodegradável e orientamos associados a adotarem esta prática como regra'', diz o diretor náutico.
Certo ou incerto, a verdade é que até uma pista de slalow (manobra) de jet ski repousa no fundo do lago, que tem em torno de três metros de profundidade e extensão aproximada de 3,2 quilômetros. Em dezembro passado, os norte-americanos Mark Matsuda e Shanw Moody - duas feras do esporte náutico - estiveram em Londrina a convite de Ríspoli. Ambos consideraram um ''privilégio'' ter um lago navegável, bonito e limpo, no centro da cidade. ''Shanw e Mark são ícones mundiais. Foi uma honra recebê-los'', salientou Ríspoli.
Bendito seja Roberto Burle Marx, um dos maiores paisagistas do século 20, e bendito também seja o então prefeito de Londrina em 1957, Antônio Fernandes Sobrinho, por terem feito o Lago Igapó tão bonito e navegável. É no meio dele, seja de jet ski, caiaque, lancha ou em uma prancha de wakeboard, admirando esta maravilha, que compreendemos o sentido da vida.


