O destino da arquitetura no Brasil passou por algumas revoluções nas últimas décadas. Parte disso se deve aos projetos inovadores de profissionais que arriscam tendências do passado com as atuais. Além disso, as construções ecologicamente corretas passam a estar cada vez mais presentes nas casas dos brasileiros.

Uma das iniciativas que contribuíram para a disseminação da arquitetura no País foi a Casa Cor, mostra de decoração criada em São Paulo mas que se espalhou por outras partes do Brasil.

Há 15 anos Marina Nessi implantou o evento em Curitiba. Neste período ela acompanhou a evolução da arquitetura e da decoração de perto. Também ajudou a divulgar arquitetos que hoje se destacam no mercado nacional. A edição 2008 do evento será realizada no Clube Concórdia e abre ao público em 13 de junho.

Neste ano a marca foi vendida para o Grupo Abril e para a Doria Associados. A FOLHA conversou com a franqueada da Casa Cor no Paraná para saber das novidades do evento deste ano.

Folha de Londrina - Em 2008 a Casa Cor Paraná completa 15 anos. O que será feito de especial para comemorar esta marca?
Marina Nessi - Preparamos um evento grandioso, com 73 ambientes e 116 expositores que estão pesquisando materiais, tendências e efeitos especiais para surpreender o nosso público. É o maior evento que já apresentamos em Curitiba.

Folha - O que muda na Casa Cor com a compra do Grupo Abril e da Doria Associados?
Marina - A mudança é que o Grupo Doria Associados é uma empresa de comunicação que vai focar a evolução natural da marca Casa Cor. O evento é um meio de comunicação com o mercado, é mais do que uma logo e uma imagem. Ela representa todos os valores que o evento agrega ao mercado. Tem uma reputação construída ao longo do tempo e está pronta para a sua expansão natural realizando outros eventos em outras áreas.

Folha - Este ano a Casa Cor ocorre no prédio histórico do Clube Concórdia. Existe uma razão especial para a escolha dessa construção?
Marina - Esse prédio é uma referência para a sociedade paranaense, além de ser um marco importante no conjunto arquitetônico neoclássico no centro da cidade. Sobretudo, o tamanho, a imponência e a beleza do conjunto arquitetônico tornaram-se o cenário especial para a comemoração dos 15 anos do evento.

Folha - Você acredita que a Casa Cor pode resgatar um pouco da história do Clube Concórdia e chamar a atenção do público para a conservação do prédio?
Marina - O Clube Concórdia está no mapa mental da sociedade. Por várias décadas foi o palco de eventos culturais, acontecimentos sociais e familiares, como casamentos e formaturas. A Casa Cor vai resgatar a história do clube, que está diretamente ligada à imigração alemã e, portanto, tem tudo a ver com a formação da sociedade paranaense. O prédio está em excelente estado de conservação, mas nossa proposta é fazer a repaginação do clube e inúmeras melhorias nas suas instalações.

Folha - O tema deste ano é ''Estilo Curitiba''. Como você define esse tema? Como se caracteriza realmente o estilo curitibano?
Marina - O tema é bastante provocativo e queremos justamente identificar qual é o estilo de viver de Curitiba, já que a Casa Cor é um evento que, além de uma exposição de decoração, promove o estilo de vida.

Folha - Nos projetos da Casa Cor há preocupação com o uso sustentável de recursos naturais?
Marina - Os expositores têm liberdade de expressão dentro do evento. Como hoje há uma forte preocupação com relação à sustentabilidade, essa tendência estará presente em alguns espaços.

Folha - No mês passado você esteve no Salão Internacional de Milão 2008, tradicional evento de arquitetura, decoração e design. Quais as novidades da feira deste ano?
Marina - As tendências que temos observado nos últimos anos estão consagradas. O design do mobiliário é móvel, com movimento, adaptável, com flexibilidade ampliada. Ambientes sensoriais, valorização de produtos sustentáveis, harmonia aliada à tecnologia, funcionalidade aliada à organização, cozinhas projetadas para o centro da casa. Tudo isso está em alta.

Folha - Qual o principal desafio de realizar a Casa Cor Paraná?
Marina - Hoje o principal desafio é ''quebrar a referência'', introduzir novidades e continuar a falar com nosso público mostrando aquilo que ele quer ver. Temos um público cativo que é muito exigente. Surpreender esse público é o nosso maior desafio.

Folha - Como é sua relação com Curitiba? Por sua experiência pessoal, acredita que o curitibano mudou seu perfil de ser, viver e morar nos últimos anos?
Marina - Quando cheguei aqui, há 15 anos, a cidade estava no momento de se transformar em uma varanda aberta para o mundo. Nesses 15 anos a cidade se fez contemporânea e chique sem perder a tranquilidade de outrora. A sociedade conservadora e tradicional tornou-se cosmopolita da cabeça aos pés, vivendo em paz com suas contradições.

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