Não existe quem não se sinta inclinado a descobrir o que vai acontecer no seu futuro: num jogo de tarô ou búzios, deixar um olhar cigano correr as linhas das mãos, enfiar uma faca na bananeira na véspera de do Dia de São João para saber qual a inicial da pessoa com a qual casará. Para não errar, diria que é um desejo comum consultar um oráculo, ou pelo menos, ter a curiosidade de fazê-lo. As motivações para saber o destino são inúmeras, segundo o astrólogo argentino Gunesvara Das.

Há vinte anos, ele trabalha fazendo o mapa astral ou carta natal, que é o cálculo do posicionamentos dos planetas no cosmos no momento do nascimento. ''Alguns querem saber se estão em boa fase para começar algo, outros querem ver se a astrologia lhes ajuda a resolver problemas conjugais ou familiares, outros querem uma orientação profissional. Muitos desejam se conhecer melhor. A astrologia nos mostra o motivo pelo qual agimos de diferentes maneiras e também como serão os períodos de nossas vidas'', informa.

O astrólogo, que também é devoto Hare Krshna, chef de culinária indiana vegetariana e professor de filosofia védica, reside em São Paulo, desde 1986, e vem a Curitiba para prestar consultas, sempre que solicitado. A pedido da FOLHA, enquanto esteve em Curitiba, mês passado, ele esclareceu as dúvidas mais comuns sobre a carta astral. Nos cinco dias que prestou atendimento, no Gandiva Yoga (3352.6844), Centro Cívico, o astrólogo foi concorridíssimo, mas arrumou um tempinho para essa entrevista.


Folha de Londrina - Para muitos, a astrologia se resume a adivinhações do futuro. De fato, é apenas isso?
Gunesvara Das: A astrologia não se resume apenas a adivinhação. Em tempos passados, médicos como Paracelso e Hipócrates a utilizavam em seus trabalhos de cura. Carl Jung a utilizava para entender as complexidades psicológicas dos seus pacientes e inúmeros médicos Ayurvédicos e psicólogos, assim como terapeutas florais olham no mapa astrológico daqueles que procuram os seus serviços.

Folha: Mas é possível fazer adivinhações do futuro?
Gunesvara: Sim, é possível. Astrologia mostra como os planetas influenciam os assuntos de nossas vidas em determinados períodos. Ao mesmo tempo, ela apresenta margens de possibilidade. Especialmente a astrologia védica tem provado ser muito eficiente para entender os períodos (passados e futuros) nas nossas vidas.

Folha: Como a astrologia pode beneficiar nossa vida?
Gunesvara: Mediante a astrologia podemos não apenas nos autoconhecer, mas tomar medidas para não sofrer ou ficar indefesos perante nossos próprios condicionamentos. E com a sabedoria da astrologia védica, podemos amenizar os períodos de planetas que sejam desfavoráveis, usando os procedimentos védicos como mantras, yantras, gemas preciosas, yoga e terapias ayurvédicas.

Folha: Qual a diferença entre astrologia védica e convencional?
Gunesvara: Tenho estudado e praticado astrologia védica desde 1988, e a convencional ocidental desde 1992. A védica é mais prática para prever como planetas nos ajudam ou prejudicam em diferentes áreas de nossas vidas e como podemos tentar ficar em harmonia com o cosmos mediante diferentes situações. Astrologia ocidental tem provado ser muito eficiente para o autoconhecimento, para o estudo de nossas atitudes e psique. A função de ambas é nos ajudar a cumprir com nosso Dharma ou missão, de forma fluente e sábia.

Folha: Poderia definir o que é astrologia e horóscopo?
Gunesvara: Em sânscrito, a palavra utilizada para astrologia é Jyotisha. Jyoti significa raio luminoso, e isha significa controle, mostrando assim o domínio do cosmos sobre nossas experiências nesta vida e corpo particulares. Horóscopo é o cálculo do posicionamentos dos planetas no cosmos no momento de nosso nascimento.

Folha: E a carta astral ou natal?
Gunesvara: É o mesmo que horóscopo.

Folha: De que forma uma carta astral pode nos ajudar no autoconhecimento e a viver melhor?
Gunesvara: Ela permite ver quais elementos do cosmos são predominantes em nossas vidas. O zodíaco divide os quatro elementos (fogo, ar, terra e água) nos 12 signos, sendo três signos para cada elemento, que está diretamente relacionado com o autoconhecimento: a água nos torna mais sensíveis emocionalmente, o ar mais sociais e intelectuais, o fogo mais impulsivos, determinados e expressivos, e a terra mais práticos e preocupados com a matéria e estabilidade. A compreensão do predomínio e do desequilíbrio destes elementos em nossa carta natal nós diz o que temos que trabalhar na nossa personalidade.

Folha: Com o conhecimento da carta astral é possível evitar que aconteça o que estava previsto para nossa vida?
Gunesvara: Até certo ponto sim, mas devemos lembrar que o controle do cosmos é sempre superior a nós. Por exemplo, se sabemos que um período de Marte vai nos tornar mais agressivos e afetar nossos relacionamentos em geral, podemos evitar tais atitudes conscientemente, orar a Deus, ser humildes e realizar práticas que canalizem essa energia, incluindo Yoga.

Folha: A sinastria pode revelar o nosso companheiro perfeito?
Gunesvara: Sinastria é a comparação dos mapas de duas pessoas, seja qual for o relacionamento (conjugal, paternal, fraternal). Ela ajuda a entender porque certas companhias despertam alguns desafios ou estados nas nossas vidas que estando com outras pessoas não experimentamos. Os planetas do mapa de uma pessoa interagem com os planetas do mapa da outra pessoa. Os fluentes causam inspiração, cooperação e bons momentos. Os aspectos desafiadores indicam as limitações, rompimentos e irritações. O companheiro perfeito não se pode achar tão facilmente, mas podemos saber se vai dar para conviver muitos anos juntos, o suficiente para que os filhos cresçam num lar menos turbulento.

Folha: Como a profissão de astrólogo é vista pela sociedade? Existe muito preconceito ou desinformação, no Brasil?
Gunesvara: Sempre houve por parte da sociedade e não apenas no Brasil. Mas há um segmento que já a reconheceu desde o começo como uma ciência. Estamos acostumados a aceitar como ciência aquilo que podemos sujeitar a experimentação e confirmação, depois de termos a teoria. Logicamente, não podemos sujeitar o cosmos à nossas provas experimentais. Isso porém, não afastou os cientistas de se dedicarem a astrologia. Benjamim Franklin, Lorde Napier, Francis Bacon e Isaac Newton são exemplos de cientistas que abraçaram astrologia com intensidade.

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