Será entregue até o fim deste ano a primeira aldeia indígena urbana de Curitiba, em construção no bairro Campo de Santana, localizado na região sul do município. Chama-se Kakané Porã, que significa fruto bom da terra. As informações são da assessoria de imprensa da prefeitura.
Em uma área de 44 mil metros quadrados, serão instaladas 35 famílias das etnias guarani, caingangue e xetá, originárias do interior do Paraná e Santa Catarina, que vivem na periferia de Curitiba. "É um projeto diferenciado, que demonstra a disposição da Prefeitura em atender todos os segmentos da sociedade. Estamos contribuindo para resgatar a dignidade de uma comunidade que vive em situação muito precária", disse o prefeito Beto Richa, por meio da assessoria de imprensa.
A aldeia está sendo construída na Rua Delegado Bruno de Almeida, com recursos do Fundo Municipal de Habitação. As famílias terão moradias de qualidade, acesso a serviços de saúde e educação para as crianças nas escolas da região. Segundo a Cohab, o empreendimento elimina um problema social e outro ambiental, porque parte das famílias vive irregularmente em área de preservação na reserva biológica do Cambuí, no Parque Iguaçu, e outras em favelas.
Das tribos representadas na comunidade, uma delas, a dos xetás, tem uma particularidade. A etnia, em extinção, tem apenas sete representantes em todo mundo, dos quais três vivem em Curitiba.
Ainda conforme a assessoria de imprensa do município, a aldeia Kakané Porã vai funcionar como um condomínio de casas, sem cercas divisórias. A idéia inicial foi reproduzir alguns componentes de uma comunidade indígena. As casas estão dispostas ao redor de uma praça, onde a Secretaria Municipal do Meio Ambiente construiu uma pequena choupana para servir como espaço de convivência.
As construções são diferenciadas dos outros empreendimentos da Cohab. Cada casa tem em torno de 38 metros quadrados, com sala, dois quartos, cozinha e banheiro. A sala não tem paredes externas, para preservar o contato do índio com o ar livre. Muitos dos novos moradores têm empregos, enquanto outros vivem da venda de artesanato.
De acordo com um termo de comodato entre a Prefeitura de Curitiba e a Funai, as famílias não poderão ceder, nem vender, nem desvirtuar o uso residencial dos imóveis. O grupo terá incentivo para manter hortas e pomar naquele espaço, como é feito nas aldeias, e acesso aos programas oferecidos pela Funai e pela Fundação Nacional de Saúde (Funasa).
Mesmo não tendo que pagar pelos imóveis, cada família pagará os custos com água e energia elétrica, por exemplo. Os índios também se comprometeram a cuidar de um bosque existente na área da aldeia.

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