Álcool e armas de fogo são responsáveis pela violência
O coordenador do Grupo de Estudos da Violência da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Pedro Bodê de Moraes, acredita que a criminalização juvenil pela mídia é um dos maiores erros sociais. Os jovens são vistos normalmente, segundo ele, como baderneiros. ''É a cultura do medo. Os grupamentos são normais porque os jovens gostam de andar em grupos. Muitas vezes a socialização juvenil passa por processos de violência. Mas temos que pensar o que leva a isto'', ponderou o professor. Segundo Bodê, o mundo adulto é que dá referência para o comportamento juvenil. ''O problema está, muitas vezes, nas famílias. É a incapacidade dos adultos de lidar com os limites. Por que os jovens não têm limites? Porque o mundo dos adultos não tem limites.''
O uso do álcool nos grupos e a presença de armas de fogo são os responsáveis, de acordo com Bodê, pela violência. ''Temos que parar de marginalizar a juventude. Os grupos brigam porque a sociedade tem ainda valores machistas. Ser macho é legal. Então os pequenos machos se unem e brigam com os seus rivais para reforçar a posição que eles têm de serem os grandes, os maiores. O que deveria ser feito? Políticas para se retirar as armas das ruas e não repressão policial. Temos que usar o diálogo para resolver o conflito, senão teremos desgraças sociais'', sugeriu o professor.
Bodê acredita no esporte como uma das formas eficazes de se tirar os jovens das ruas. ''Temos que levar o futebol para as vilas porque o jogo faz com que o jovem aprenda regras, perceba limites e encare a derrota e a vitória como coisas normais. Temos que investir em educação para que a escola possa contribuir com a inclusão do cidadão. A situação atual da violência tem a ver com a precarização das relações de trabalho e falta de políticas públicas. Educação não resolve tudo. Mas quanto maior tempo de educação, de sala-de-aula, menores os problemas.''
O major Douglas Dabul, chefe do Setor do Planejamento do Comando de Policiamento da Capital (CPC), concorda com o especialista em violência. Ele acredita em ações educativas para retirar os jovens dos grupos comandados por traficantes. ''O usuário não quer sair do grupo, nem busca ajuda. A ação de resgate destes jovens não depende só de polícia. Depende da família - que não pode ser omissa, desagregada, inoperante. Nós temos programas de prevenção às drogas nas escolas, para mostrar os efeitos das drogas, o Proerd. O Estado também tem que agir, com programas especiais. É uma ação conjunta!'', definiu o major. (L.P.)





