ALBERGUES NO LITORAL - Simples, baratos e confortáveis
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segunda-feira, 21 de janeiro de 2008
Andréa Lombardo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Não é apenas o fator financeiro que pesa na hora de escolher a hospedagem. Mesmo quem pode pagar diárias em hotéis luxuosos prefere, às vezes, um estabelecimento simples, mas que proporcione o mínimo de conforto.
Esse é o caso do executivo de uma multinacional, Rafael Bruno, que optou pela estadia em um 'hostel' em sua passagem pelo Litoral paranaense, nesta temporada. E, para sua surpresa, encontrou, em Guaratuba, um albergue da juventude. O lugar, inaugurado há menos de dois meses, está sendo, aos poucos, descoberto por viajantes que gostam do clima amistoso dos albergues e de economizar nas despesas com hospedagem.
Bruno e a mulher Rosana Alves, que moram em Santo André, no ABC paulista, contam que já viajaram por vários lugares do Brasil - Natal, Recife, Maresias, Curitiba, Florianópolis -, sempre se hospedando em albergues. ''Além do fator economia, o ambiente nos hostels é muito agradável. É como se você estivesse na sua casa'', observou Rosana. ''Fizemos um cruzeiro no ano passado e foi um desastre. Aquela chatice toda de roupa chique para jantar e horário para tudo'', acrescentou.
Para Bruno, o que conta mesmo na escolha pelo hostel é ficar à vontade. ''Em São Paulo, vivemos 'presos'. Aqui a sensação é de liberdade'', acrescentou Bruno, lembrando da churrascada que haviam feito no dia anterior, compartilhando o espaço da churrasqueira com outros casais que estavam hospedados no mesmo hostel.
Os pais de Rosana, Antônio e Rosa de Simone Alves, dividiram o mesmo quarto da filha e genro. ''Encontramos, aqui, o queríamos: conforto e tranquilidade'', afirmou Alves. ''E escolhemos camas de solteiro, pois quando se tem 61 anos de casado, melhor dormir em camas separadas, de vez em quando'', brincou o empresário. Rosa adiantou que, voltando para casa, começará a consultar os hostels existentes em Bariloche - destino escolhido pelo casal para a próxima viagem.
Os dois casais fogem ao que se imagina ser o perfil de quem se hospeda em hostels, tanto pela condição financeira quanto pela idade. A idéia que se tem de ''alberguistas'' é que são jovens aventureiros, que querem viajar, conhecer lugares, gastando pouco. No entanto, o dono do Guaratuba Hostel, Ricardo Coutinho, garante que 90% de seus hóspedes são casais, na faixa dos 30 anos, que querem sossego e a proximidade com a natureza.
Coutinho acredita que a escolha por hostels, de fato, não tem a ver com idade nem classe social. Para ele, as pessoas que procuram albergues estão dispostas a abrir mão do individualismo e vêem nesses espaços a possibilidade de estreitar relacionamento com outras pessoas. ''No Brasil, há muito tabu e preconceito em relação aos hostels. É uma questão cultural mesmo'', lamentou.
Foi em viagens pela Europa, nos anos de 2005 e 2006, hospedando-se em albergues, que Coutinho teve a idéia de investir no Guaratuba Hostel. Ele espera começar a receber estrangeiros, em breve, pois seu estabelecimento já está no cadastro mundial de albergues (Hostelling International), na internet.
Mesmo criticando o fato de Guaratuba ser pouco divulgada, internacionalmente, ele acredita que a movimentação de turistas do exterior na Ilha do Mel acabe servindo de chamariz para aquela cidade litorânea. O empresário adiantou que pretende avançar na área do ecoturismo e do turismo de aventura, apostando no potencial da região em que está instalado seu estabelecimento: em meio à Mata Atlântica, rodeado de fauna e flora riquíssimas.


