Akihito é símbolo da unidade do povo
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quinta-feira, 05 de junho de 1997
Egidio Brizola 
Ao assumir, o imperador Akihito declarou que sempre seguiria os passos do seu pai, cumprindo o desejo do imperador de sempre manter-se em perfeita união com seu povo. Expressou votos de contínuo progresso para a Nação, de paz mundial e de bem-estar para a humanidade e declarou seu propósito de respeitar o seu dever como símbolo da unidade do povo, de acordo com a Constituição.
O imperador Akihito ascendeu ao trono em 7 de janeiro de 1989, após a morte do seu pai, o imperador Hiroito, que passou a ser chamado postumamente de imperador Showa. Akihito nasceu em Tóquio em 23 de dezembro de 1933, sendo o primogênito de Hiroito e da imperatriz Nagako. Depois de cursar a Escola Secundária de Gakushuin em 1952, o príncipe herdeiro ingressou no Departamento de Política da Faculdade de Política e Economia da Universidade de Gakushuin, graduando-se em 1956.
Em 1953, o então príncipe viajou durante seis meses por 14 países da Europa Ocidental e da América do Norte. Em Londres, ele representou o imperador, seu pai, nos festejos de coroação da Rainha Elizabeth II.
Em abril de 1959, o príncipe Akihito casou-se com Michiko Shoda, a filha mais velha do rico industrial Hidesaburo Shoda, ex-presidente de uma campanhia industrial de trigo. Ela nasceu em Tóquio em 20 de outubro de 1934. Os Shoda são uma família erudita, à qual pertencem dois membros da Ordem do Mérito Cultural, a maior honraria acadêmida conferida pelo imperador japonês a intelectuais.
Na primeira audiência pública, dois dias depois de subir ao trono do Império Japonês, Akihito fez votos solenes de cumprir suas responsabilidades: Eu juro estar sempre coeso com o povo e defender a Constituição, afirmou o novo imperador, que já estava representando o pai desde quando Hiroito ficou doente em 1987. Na época, participou da abertura da Dieta - o Parlamento japonês - já em companhia da futura imperatriz, da sessão inaugural de outono do tradicionalíssimo Festival Nacional de Esportes, do Dia Nacional da Árvore e de outras funções oficiais.
Akihito sempre interessou-e por ictiologia, e já publicou 26 trabalhous sobre os gobídeos no Japanese Journal of Ichthyology. Sua dedicação ao estudo dos peixes lhe rendeu uma cadeira de membro honorário da Sociedade Lineana de Londres, centro internacional de estudos de biologia. O imperador é músico, executando violoncelo. Nos esportes, embora não se dedique muito, ele prefere o tênis e o hipismo. Foi numa quadra de tênis que Akihito conheceu Michiko.
Michiko ingressou no Departamento de Línguas e Literaturas Estrangeiras da Universidade do Sagrado Coração em 1953, especializando-se em Literatura Inglesa. A hoje imperatriz foi oradora de sua turma de formandos. O casamento com Michiko foi uma ruptura de Akihito com os costumes milenares da Corte: embora de família rica, Michiko não era nobre. O casamento foi realizado depois de consentimento unânime do Conselho da Casa Imperial, chefiado pelo primeiro-ministro e composto por integrantes da família imperial. A Nação aplaudiu. Akihito e Michiko já visitaram 43 países juntos.
A imperatriz gosta de tocar piano e harpa e se dedica aos trabalhos de artesanato em bordados e tecelagem, e também à literatura e às flores. O casal imperial sempre participa de encontros com acadêmicos, artistas e outros especialistas de diversas áreas, no Japão e em outros países. Em várias épocas do ano, Akihito e Michiko viajam para diferentes localidades do País, procurando estudar questões locais, visitando organizações sociais, estabelecimentos industriais e instituições acadêmicas.
Filhos juntosCom relação à educação dos dois filhos e um filha, o casal imperial também quebrou outro costume milenar da Corte: Akihito e Michiko preferiam criar eles mesmos seus filhos. Antes, os filhos do imperador eram criados em outro palaácio. Com a novidade, eles conseguem estabelecer e manter laços mais estreito com a família. Suas constantes visitas ao Palácio Imperial, em companhia dos filhos, proporcionaram sempre muita alegria à Hiroito e à imperatriz-mãe.
Quatro artigos da Constituição definem, em resumo o papel do imperador: O imperador é o símbolo do Estado e da unidade do povo, de cuja vontade advém o seu poder soberano (Artigo 1º); O imperador deverá somente praticar atos referentes a assuntos de Estado, estipulados pela Constituição, não possuindo poderes relativos a governo (Artigo 4); O imperador deverá nomear o primeiro-ministro, indicado pela Dieta, bem como o presidente da Corte Suprema, designado pelo Gabinete (Artigo 6); e O imperador deverá, com a assessoria e a aprovação do Gabinete, desempenhar determinados atos em questões de Estado, tais como a promulgação de leis e tratados, a convocação da Dieta, a proclamação de eleições gerais, a concessão de honrarias e outros (Artigo 7).


