Agulhadas orientais de energia
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sexta-feira, 14 de novembro de 1997
Fabiano Camargo 
Quando missionários jesuítas que viajavam pelo oriente, há 200 anos, viram pela primeira vez médicos chineses praticando a acupuntura, pensaram, num primeiro momento, que se tratava de alguma modalidade de tortura. Desfeito o engano, voltaram para o Ocidente falando sobre esta técnica de cura milenar que utiliza agulhas (a palavra acupuntura vem do latin: Acun significa agulha, e puntura, punção).
Daquele primeiro contato até hoje, a acupuntura conquistou espaço e muitos adeptos por todo o mundo. Isto aconteceu apesar do descrédito de grande parte dos médicos ocidentais, que continuam encarando a técnica chinesa de curar com agulhadas em pontos específicos do corpo como uma atividade meramente exótica. Nos últimos anos, essa barreira vem sendo ultrapassada e a capacidade curativa das agulhadas orientais ganha terreno na medicina tradicional. Há duas semanas, o Instituto Nacional de Saúde americano atestou a eficiência da acupuntura no tratamento de quatro problemas: vômitos e náuseas em pacientes tratados com quimioterapia ou recém-operados, enjôos da gravidez e dores causadas pela extração de dentes.
O reconhecimento da eficácia apenas nestes casos é muito pouco perto de todos os males que a acupuntura promete curar, mas é um sinal importante de que a técnica já passa a ser vista com novos olhos pela medicina americana e, por consequência, pela ocidental. Este processo iniciou na França. O país é o maior centro ocidental de acupuntura. A Universidade de Sorbonne, uma das mais conceituadas do mundo, oferece vários cursos de acupuntura.
Estas conquistas também vem tendo reflexos no Brasil, onde a acupuntura começou a se desenvolver mais cientificamente há 25 anos. Desde 1995, ela é uma especialidade médica reconhecida pelo Ministério da Saúde e pelo Conselho Federal de Medicina. Existem hoje 5.000 médicos acupunturistas no país. Em Curitiba, iniciou este ano o primeiro curso do Paraná para formar médicos especialistas.
O reconhecimento oficial da acupuntura é um processo difícil mas esta dificuldade e até certo ponto natural, diz o médico Mauro Carbonar, diretor científico da Associação Médica Paranaense de Acupuntura e diretor do Centro de Estudos de Acupuntura do Paraná, órgão que realiza o curso. Por ser uma especialidade do extremo oriente, várias barreiras geográficas, culturais, religiosas e até políticas fizeram com que a acupuntura ficasse segregada. Com a abertura da China nas últimas décadas, as universidades daquele país abriram suas portas e o conhecimento passou a chegar de maneira mais científica ao ocidente, o que vem resultando num maior reconhecimento.
Segundo o médico, outra dificuldade encontrada para a expansão da acupuntura é a falta de conhecimento sobre seus fundamentos. É difícil para os médicos ocidentais, formados com base em livros das universidades americanas e européias, imaginar que existe algo em termos de medicina que ainda não tenha sido explorado. Pois a acupuntura tem como base o eletromagnetismo do corpo, uma vertente da ciência na qual ainda estamos apenas engatinhando.
Conforme o especialista, o objetivo do curso e da maior divulgação da acupuntura é integrá-la ao conhecimento ocidental. Não estamos querendo transformar ninguém em médico oriental. A idéia é mostrar que a acupuntura tem seu maior valor como forma de tratamento para vários problemas onde a medicina normal não consegue bons resultudos, diz. Existem várias destas lacunas, como os casos de dores crônicas (ver texto ao lado).


