Água é um risco para os ouvidos no verão
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segunda-feira, 19 de janeiro de 2009
Kalinka Amorim<br> Reportagem Local 
A combinação de praias, piscinas e altas temperaturas parecem ser ideais no verão. Desde que essa combinação não inclua umidade excessiva nos ouvidos. Se isso acontecer, a chance de desenvolver uma otite externa ou uma otite média aguda é considerável.
Durante a estação mais quente do ano é inevitável cair na água, mas esse prazer muitas vezes pode causar dor. Alguns cuidados de prevenção precisam ser tomados, uma vez que a incidência nesta época do ano cresce aproximadamente 50%. O otorrinolaringologista Kooki Tan, 72 anos, que há 45 anos presta serviço na área, fala sobre alguns cuidados necessários para curtir a temporada sem dores.
Segundo Kooki, a otite externa é uma reação alérgica do ouvido e está relacionada com o acúmulo de cera. ''Pessoas com pré-disposição à produção de cera devem fazer uma limpeza antes da temporada de praias e piscinas. Se o ouvido estiver cheio de detritos e alguma lesão, a água contaminada ao entrar em contato com a lesão fará com que a pessoa desenvolva uma otite externa'', explica.
Ele ainda recomenda que as famílias tenham em casa álcool absoluto 70 graus. ''O álcool tem a finalidade de esterilizar o ouvido que esteja cheio de detritos ou até uma micose. Quando entrar na água, na volta é recomendável pingar três gotas do álcool absoluto em cada ouvido para prevenir. Depois que a infecção já se instalou, na medida do possível não pingar nenhum remédio, nem o álcool, pois este pode até causar sintomas desconfortáveis como ardor'', esclarece o médico.
Para evitar que a criança ou mesmo o adulto desenvolvam a otite média aguda é necessário evitar ir à praia ou à piscina quando estiverem gripados.
''A secreção gripal ou catarral aumenta muito quando se está com gripe e a pré-disposição para subir ao ouvido médio e desenvolver a infecção é maior'', explica Kooki.
A equipe da FOLHA visitou as piscinas do Iate Clube e conversou com Patrícia Silva Clímaco, mãe de João Pedro, 8 anos. Patrícia conta que ele foi acometido da infecção (otite média) quando tinha 2 anos. ''Devido às aulas de natação ele desenvolveu a infecção. Teve que ficar afastado por mais de um ano e nunca mais teve o problema. Quando ele está meio gripado não trago à piscina e tomo alguns cuidados como secar o cabelo depois das aulas de natação para evitar maiores transtornos'', conta Patrícia.
Já a professora Patrícia Sartori, 34, que estava acompanhada dos três filhos, deixou a caçula Ana Clara, 6, de castigo fora d'água. A garotinha sofre todos os anos na época do verão por ter predisposição a otites. Ana Clara tinha acabado de sair do médico e estava sentada à sombra olhando os irmãos se divertirem na piscina.
''Eu não ia trazê-la, mas na hora que estava de saída ela chegou com o pai. Trouxe Ana Clara na condição que ela ficasse sentada na sombra. Tenho dó, mas todo verão é a mesma coisa, sempre perde cinco dias da temporada pela sensibilidade que tem nos ouvidos'', conta Patrícia.


