Na contramão dos investimentos públicos, que apresentaram queda de 12,5% entre os anos de 2012 e 2013, empresas privadas investem cada vez mais em projetos de saneamento básico no Brasil. Em 2013, os recursos aplicados por empresas particulares com instalações de redes de coleta de esgoto, construções de estações de tratamento e distribuição de água alcançaram a marca de R$ 1,8 bilhão, o dobro de 2012. E a perspectiva é que os investimentos privados cheguem a R$ 12,4 bilhões até 2018.
Os dados fazem parte do Panorama da Participação Privada no Saneamento 2015, recém publicado pela Associação Brasileira das Concessionárias Privadas de Serviços Públicos de Água e Esgoto (Abcon).
As entidades somam mais de 120 concessionárias, presentes em 304 municípios brasileiros, e atendem 32,4 milhões de brasileiros. Empresas que passaram a administrar serviços essenciais para o dia a dia das pessoas, ante a inércia da administração pública. A atuação de empresas privadas nesse setor é garantida por lei desde 2007 (Lei do Saneamento), modernizada pela proposta de parceria público-privada em 2012 (Lei 12.766).
O Atlas Brasil, estudo realizado pela Agência Nacional de Águas (ANA), órgão vinculado ao Ministério do Meio Ambiente, revela que 55% dos municípios brasileiros, onde moram 75% da população, devem registrar desabastecimento de água em 2015. No que se refere ao esgoto, a situação é ainda mais preocupante.
Quase a metade da população urbana brasileira permanece sem rede coletora de esgoto, e o percentual de tratamento do esgoto gerado por ela é de apenas 37,5%. Índices que colocam o Brasil na incômoda 67ª posição no ranking mundial, de acordo com dados da Organização das Nações Unidas (ONU), mesmo tendo uma das maiores economias do mundo.
Os números comprovam que o País terá muita dificuldade de atingir a universalização dos serviços até 2033, como prevê o Plano Nacional de Saneamento Básico. "Há tempos defendemos que a parceria entre o público e o privado, de forma complementar e em um ambiente de cooperação, seria a melhor maneira para que o Brasil avançasse no saneamento e deixasse de ter índices preocupantes para a saúde pública, o bem-estar da população e a preservação ambiental", ressalta o presidente-executivo da Abcon, Roberto Muniz.
A maioria das concessionárias privadas está presente em cidades de pequeno e médio porte, porém, também estão presentes em grandes centros como Niterói (RJ), Guarulhos (SP) e Cuiabá (MT).

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