Água de fontes e bicas está contaminada
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sexta-feira, 26 de outubro de 2007
Equipe da Folha 
A Prefeitura de Curitiba alerta a população sobre os riscos de beber água de fontes, nascentes e bicas da cidade, como as do Bosque Gutierrez, nas Mercês, e dos parques do Atuba e Bacacheri. ''A qualidade da água destas fontes está comprometida pela presença de bactérias e seu consumo pode causar doenças'', informa a superintendente da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), Edimara Seegmuller, por meio da assessoria de imprensa. ''A única água indicada para beber é a água tratada'', completa.
De acordo com a assessoria de imprensa, a prefeitura tem sinalizado as fontes e bicas onde foi detectada a contaminação. Em todas elas foram colocadas placas com o aviso: ''Água Imprópria para Consumo''. No entanto, segundo a prefeitura, as placas foram retiradas ou pichadas, impedindo a leitura. Na rua Uruguai, no bairro Bacacheri, por exemplo, as letras ''I'' e ''M'' foram riscadas, invertendo a informação e induzindo a população a acreditar que a água é própria para consumo. A prefeitura informa que colocará novas placas de aviso nas fontes mais procuradas pela população.
A Secretaria Municipal da Saúde convocará lideranças da comunidade e vizinhos das fontes para uma reunião para discutir o assunto, porque em alguns locais o costume de apanhar água vem de décadas. Além das fontes do Bosque Gutierrez, do Atuba e Bacacheri, há diversos locais da cidade onde há minas e bicas de água e todas estão em situação semelhante de contaminação. A maioria é de água do lençol freático, que aflora naturalmente. Nos parques do Atuba e Bacacheri as águas são de poços artesianos, que foram abertos para alimentar os lagos dos dois parques.
Apesar de as águas das fontes terem aparência límpida e não terem sabor, não significa que sejam boas para consumo, porque apenas as análises de laboratório detectam os microorganismos nocivos. A principal causa do comprometimento das fontes está relacionada ao rápido e intenso adensamento populacional, ocorrido nos últimos anos. Associado às práticas inadequadas de saneamento, como a disposição do lixo diretamente no solo e os esgotos clandestinos, o processo tem provocado a contaminação do lençol freático, que por ter uma localização mais superficial, torna-se muito mais vulnerável. Outro agravante para a contaminação das águas é o fato de animais, como cães e cavalos, terem acesso às torneiras, muitas vezes, conduzidos pelos donos.


