O pesquisador lembra que os primeiros estudos sobre mudanças climáticas datam da década de 90, quando a preocupação era com o aumento de gás carbônico na atmosfera. ''Em princípio, a pesquisa considerou que seria bom, porque aumentaria a oferta de matéria prima para que as plantas realizassem fotossíntese'', observa. Com o tempo, entretanto, o excesso de gás carbônico passou a trazer uma consequência ruim: o aumento da temperatura associado ao efeito estufa.
''As altas temperaturas acabam elevando o consumo de água, afetando diretamente as culturas de verão, que são a matriz da produção agrícola brasileira'', comenta. O Sul do País, que já enfrenta seca, terá mais problemas. ''O maior bem do futuro será a água'', enfatiza.
Além do desenvolvimento de cultivares adequadas às novas condições climáticas, estão sendo investigadas formas de manejo que favoreçam o desenvolvimento em condições adversas, o que inclui espaçamento, densidade, arquitetura e arranjo das plantas e manejo de pragas e doenças, além de tecnologias para produção de sementes com qualidade em ambientes mais quentes.
O objetivo é desenvolver e consolidar práticas sustentáveis, que favoreçam a retenção da água. ''Quanto mais água armazenada no solo, maior será a produtividade'', determina.
Nesse sentido, tecnologias já consolidadas, como o plantio direto, devem voltar a ser praticadas de acordo com o preconizado pela pesquisa, com sistema de rotação de culturas capaz de romper as camadas compactadas do solo. Farias lembra que a simples alternância entre soja, trigo e milho - que são culturas mais rentáveis - não garante a recuperação do solo. ''Poucos produtores fazem a rotação, porque a prática não tem rentabilidade. Falta consciência sobre a necessidade de preservação do ambiente produtivo.'' (C.A.)

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