ÁGUA - Desperdício exclui famílias da tarifa social
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sábado, 12 de junho de 2004
Renon Junior<BR>Reportagem Local 
A Tarifa Social Homero Oguido, implantada em Londrina em janeiro desse ano, poderia ter um alcance bem maior. Um levantamento feito pela Sanepar (Companhia de Saneamento do Paraná) apontou que cerca de 20 mil famílias atendem a dois dos três requisitos do programa: ter renda de até meio salário mínimo por pessoa da casa e morar em imóvel de até 70 metros quadrados. Cinco mil famílias ainda não conseguiram o benefício por esbarrar no terceiro quesito: consumo inferior a 2500 litros de água por pessoa ao mês.
Moradora do Jardim Santa Fé, Vanda Lucia da Silva, só conseguiu a tarifa social na terceira tentativa. Na primeira vez, o consumo de 13 metros cúbicos por mês a deixou de fora. Na segunda, o consumo continuava acima do padrão e ela foi aconselhada a verificar a rede em casa. Foi quando encontrou a raiz do problema: um vazamento no vaso sanitário. Após o conserto, a conta diminuiu ela finalmente conseguiu o desconto.
Vanda mora com a mãe Marinha, a filha Kétlen, a irmã Romecilda, o cunhado Marcelo e a sobrinha Jéssica. Seis pessoas que mudaram a rotina no uso da água. ''Aqui, os banhos duram no máximo 5 minutos. Não dá nem pra cantar no chuveiro'', brinca a dona da casa. Ela também disse que não lava louça com torneira aberta e controla na hora de escovar os dentes. ''Eu e minha mãe pegamos no pé de quem não cuida''. Com tanto controle, o consumo caiu para 9 metros cúbicos por mês. A tarifa social trouxe para a família um alívio no orçamento doméstico. ''Antes a nossa conta era de R$ 40,00. Agora caiu para R$ 7,50''.
Para o Gerente Geral Metropolitano da Sanepar, Sérgio Bahls, o exemplo de Vanda é cada vez mais frequente. ''Nos bairros mais pobres, as vantagens da tarifa social se espalharam rápido'', revela, explicando o motivo da procura crescente na sede da Sanepar. Segundo Bahls, ''as famílias começam a economizar de todo lado, até se enquadrar nas regras''.
Se para os mais carentes, a economia é uma necessidade, para as camadas mais altas ainda falta conscientização. O gerente afirma que o desperdício acontece nas coisas mais rotineiras. Escovando os dentes com a torneira aberta gasta-se cerca de 10 litros a cada escovação. Com um copo d'água, o gasto não chega a 2 litros, 80% a menos.
O banho é outro caso de desperdício associado ao descaso. Em 10 minutos, mais de 200 litros escorrem pelo ralo. Bahls recomenda que o tempo seja reduzido para 5 minutos, aproveitando melhor a água que sai do chuveiro. ''Não precisa mais do que isso pra tomar um bom banho'', defende.
Situação mais grave acontece nos edifícios residenciais. ''Como a conta de água é embutida na taxa de condomínio, as pessoas não se preocupam em economizar'', explica o gerente. Pelo mesmo motivo, ele diz que pequenos vazamentos não são tratados pelos moradores com a devida seriedade. Na ponta do lápis, a questão é séria. Se num prédio com 80 apartamentos, cada unidade tiver uma torneira pingando, o edifício estará desperdiçando 5600 litros de água por dia e 168.000 litros por mês, causando um acréscimo de R$ 1173,32 no talão de água.
Quem não tem preocupação com o uso racional da água pode ser obrigado a rever seus conceitos se for morar em alguns lançamentos que começam a surgir no mercado imobiliário. São apartamentos com registros de água individuais, ideais para reduzir o desperdício e as altas taxas de condomínio.


