Agronegócio deseja mais crédito e investimentos
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domingo, 01 de janeiro de 2006
Erika Zanon<br>Reportagem Local 
A queda de quase 25% na receita em 2005 faz com que o agronegócio paranaense inicie 2006 prevendo dificuldades. O discurso das entidades de classe, das cooperativas e dos produtores é o mesmo e envolve questões de ordem conjuntural como taxa de câmbio, taxa de juros, liberação de crédito rural e investimentos por parte do governo em infra-estrutura.
''Fechamos 2005 com problemas de diversos fatores, fora do nosso domínio, e que culminaram com uma receita 30% menor que 2004'', lamentou João Paulo Koslovski, presidente da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar). Entre os maiores problemas do setor em 2005 esteve a seca prolongada do início do ano - responsável por uma perda de 6 milhões de toneladas da produção de soja, milho e algodão -, a cotação do dólar que baixou drasticamente e a crise da febre aftosa que provocou a diminuição da exportação de produtos e subprodutos de origem animal, e tem gerado, por dia, um prejuízo estimado em R$ 4,7 milhões.
As reivindicações do setor para recuperar a renda em 2006, segundo Koslovski, já foram encaminhadas ao presidente Lula. Os pedidos começam com uma política de crédito rural mais consistente para colaborar com o agricultor, que este ano precisou buscar ajuda de instituições privadas - a juros bem mais altos - para comercializar seus produtos. ''Essa ajuda de crédito precisa vir antes do início da safra do trigo, da soja e do milho que acontece em fevereiro'', adiantou Koslovski.
Eles reclamam também mais investimentos do Governo em infra-estrutura básica para um melhor escoamento da safra: mais armazéns e melhores ferrovias e rodovias. ''Foi o produtor que arcou com os custos adicionais de logística, resultado de estradas mal conservadas e embrólio no Porto de Paranaguá'', lembrou Ágide Menegheti, presidente da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep).
Para reverter o cenário dramático de 2005, as entidades do agronegócio esperam ainda taxas de juros menores, redução da carga tributária e acima de tudo que o dólar volte a se valorizar frente ao real. ''Por conta do valor em que se manteve o dólar alguns produtores tiveram que cancelar contratos abertos no exterior para não perderem mais dinheiro'', lamentou Kosloviski.
Kosloviski também aposta que saia em 2006 a autorização do Governo Federal para o Programa de Capitalização das Cooperativas de Crédito e Agropecuárias. ''Esse programa vai permitir que as cooperativas possam se capitalizar e assim financiar mais o setor produtivo, gerando mais recursos'', explicou ele. Além disso, a Ocepar tem a expectativa de uma liberação de crédito para a agroindústria na ordem de R$ 200 milhões e conta com a aprovação da nova Lei do Cooperativismo. Já a Faep espera por recursos federais para a defesa sanitária animal e vegetal que podem alcançar os R$ 300 milhões.
Transgênicos - Uma das exigências que os produtores farão este ano é a liberação do escoamento da soja transgênica pelo Porto de Paranaguá. ''Acho que vamos conseguir que o governo do Estado caia na real e nos dê opções para exportar a soja transgênica'', disse o produtor Mário Sossella Filho, cuja propriedade está localizada na região de Cascavel, oeste do Estado.
Sossella reclamou que tem investido em tecnologia, tem trabalhado com qualidade para oferecer um bom produto, mas o Governo não tem colaborado. ''O faturamento de 2005 caiu pela metade. Em troca dos nossos investimentos recebemos a desvalorização cambial como uma rasteira'', ironizou o produtor. Na opinião dele, o preço do dólar deveria estar em torno de R$ 2,70, para que os agropecuaristas não tivessem prejuízo.


