Pequenas áreas com uma diversidade de produtos compõem o perfil agrícola de Londrina. Técnicos têm orientado agricultores a adotar alternativas de produção como a agroindústria ou a produção de olerícolas. Essas atividades são mais viáveis em pequenas propriedades, trazem rendimento mais rápido e viabilizam a permanência na zona rural.
A engenheira agrônoma Rosângela Zaparoli Vieira, do Departamento de Economia Rural (Deral) de Londrina, vinculado à Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), elaborou no ano passado o perfil agrícola dos municípios atendidos pelo núcleo da Seab de Londrina. O núcleo atende e orienta produtor agrícola de Londrina e é responsável também pela assistência a agricultores de mais 18 municípios do Norte do Paraná.
O estudo teve a participação do economista Antônio José da Silva, do técnico agrícola Pedro Júnior, do enumerador José Afonso Caetano e apoio do chefe do núcleo regional da Seab/Londrina, Juarez Moreira da Silva. O levantamento forneceu dados sobre a produção agropecuária municipal de 19 municípios, áreas e plantio e as principais culturas da região. Para fechar o perfil foram usadas informações da Secretaria Municipal de Agricultura, Emater e outros órgãos envolvidos na atividade agrícola.
O município de Londrina tem uma área agrícola total de 680.535 hectares, sendo 297 mil hectares de lavouras anuais, 51 mil hectares entre café e cana-de-açúcar, que são lavouras perenes, 16.810 hectares de pastagens nativas, 239.822 hectares de pastagens cultivadas, 11.348 hectares de reflorestamento, 27 mil hectares de matas naturais e 36.958 hectares de outras culturas. Ao todo são 3.320 imóveis rurais e 3.285 produtores. Segundo a agrônoma Rosângela Vieira, as propriedades são de pequenas áreas e não chegam a 50 hectares.

Londrina tem uma produção agrícola diversificada, que vai do ''antigo'' café, que voltou a ser cultivado no modelo adensado nos últimos anos trazendo expectativa de novos rendimentos, passando por comoditties como a soja, até a agroindústria que representa uma nova alternativa de renda especialmente às pequenas propriedades. Outra modalidade agrícola em crescimento no município é a produção de orgânicos, sobretudo hortaliças e algumas frutas.
Mesmo sendo uma região em que predominam pequenas propriedades onde lavouras como soja ou o milho não resultam em escala de produção e, portanto maior rendimento aos agricultores , a maior área de agricultura do município é da soja, com 24 mil hectares plantados. O milho cultivado no verão também toma grandes áreas, são 13 mil hectares, e o trigo, no inverno, soma plantio de 9 mil hectares. O milho safrinha, cultivado fora da época recomendada pela pesquisa e técnicos, tem área de 5.300 hectares.
Londrina, que já foi considerada a capital mundial do café, hoje soma apenas o cultivo de 6.190 hectares, sendo que apenas 1.540 hectares estão dentro do novo modelo de cultivo adensado, num espaçamento menor. A explicação para uma área tão pequena do café adensado, segundo Rosângela, está no fato de que a tecnologia foi desenvolvida há menos de 10 anos e mesmo as lavouras mais antigas já sofreram reformas em que o espaçamento foi redimensionado. Essas lavouras passaram ao sistema de plantio semiadensado.
O município tem também produção de arroz irrigado e de sequeiro, três safras de feijão (das secas, das águas e de inverno), mandioca, amora, amendoim, aveia branca e rami. Mas foi no setor produtivo de olerícolas que aconteceu o maior desenvolvimento nas áreas agrícolas de Londrina nos últimos anos.
Segundo o secretário municipal de agricultura, Nilson Ladeia, as áreas tiveram esse ano um crescimento de 30% em relação a 2000. A explicação se dá porque as propriedades são pequenas áreas e o rendimento com produtos como soja e milho não é mais viável em propriedades abaixo de 50 hectares. Muitos agricultores que apostaram no plantio do café adensado, sobretudo naquelas lavouras mais novas, tiveram grandes prejuízos no ano passado devido a geadas. A olericultura garante Ladeia, se mostra uma boa opção para pequenas áreas porque traz recursos mais rápidos do que lavouras anuais.
As olerícolas mais cultivadas são a batata doce, cara, tomate, repolho, alface, pepino, entre outros. A maioria fica em pequenas áreas e está na mão de pequenos agricultores. Nas frutíferas há plantios de abacate, caqui, laranja, manga, morango, tangerina, uva de mesa, entre outras. As maiores áreas são destinadas ao cultivo da uva de mesa, laranja e limão.
O rebanho de bovinos (corte e leite) soma total de 98 mil 465 cabeças, sendo 78 mil de produção de carne e de 19 mil animais destinados à produção de leite. O número médio de animais de corte vendidos para abate ultrapassa as 20 mil cabeças/ano e a produção leiteira soma 16,5 mil quilos anuais. As aves de corte somam um rebanho estático de 1 milhão 344 mil e 440 cabeças, sendo que o abate soma 8 milhões de aves nascidas desse rebanho total. Nas aves de postura há um plantel estático de 252 mil e 800 aves e uma produção de 5 milhões 382 mil e 533 dúzias de ovos por ano. O rebanho de suínos é de.
Embora muita gente desconheça há registro também de búfalos criados nos arredores de Londrina. O relatório do Deral traz a informação de que são 675 cabeças de búfalos com abate ou venda de animais vivos de 67 cabeças/ano. Os caprinos somam 735 cabeças com quase a metade, 441 abatidos ou vendidos vivos. Os ovinos somam o rebanho de 8.038 com abate/venda de 4.823 cabeças. Há também produção de codornas (9.900 unidades) e abate/venda de 990 cabeças.
Os agricultores do município têm ainda produção de 7 mil kg de casulos para o bicho da seda, 2 milhões e 600 mil kg de húmus, 16 mil kg de produção de lã e 15.800 kg de mel. No pescado de cultivo há produção de alevinos, bagres, carpas, curimbas, tilápias, pacu, entre outros.
Outras produções agrícolas estão concentradas em áreas de eucaliptos para serraria, araucária e outros tipos de árvores. Nos viveiros municipais pode-se encontrar 1 milhão e 572 mil mudas de café. A disponibilidade de 100 mil mudas de frutíferas silvestres, 3 milhões e 420 mil mudas de morango, 180 mil mudas para arborização, 780 mil mudas nativas, 8.301 toneladas de sementes de soja e 9.217 toneladas de sementes de trigo.
Na área de produção de flores e plantas ornamentais há plantios de crisântemos para comercialização em vasos ou em maços, grama, margaridas, mosquitinhos, orquídeas, rosas, violetas em vasos, begônia e outras plantas.
Na produção de forrageiras para atender a alimentação de bovinos há produção de 24 mil e 800 toneladas de capineiras. Nas áreas onde planta-se adubação verde o agricultor tem cultivos de aveia preta, nabo forrageiro e mucuna. O plantio direto é feito nas áreas de soja, somando 7.350 hectares, milho com 4.250 hectares e o trigo com 2.400 hectares.
O secretário de Agricultura Nilson Ladeia lembra que a agroindústria está se ampliando. Segundo a agrônoma Rosângela Vieira do Deral, há uma produção de uma média de 30 itens advindos de produtos agrícolas como açúcar mascavo, vinhos e licores, compotas, sucos, embutidos e defumados, arroz descascado, adubo orgânico, mel, entre outros. Ladeia lembra também que junto aos distritos foram formados nesse último ano conselhos com objetivo de atuarem na zona rural não só no que diz respeito à produção agrícola, mas também na organização dos produtores, capacitação e treinamentos, áreas de saúde e educação, entre outros setores.

mockup