O agricultor aposentado Abeo José Trindade, 78 anos, é um bom exemplo de como uma pessoa pode tomar parte na história oficial, a ponto de ter interesse para um museu, por simples acaso. Na semana passada, por iniciativa própria, ele levou alguns documentos para o Museu Histórico de Londrina, que pretende arquivá-los. A relevância histórica do agricultor? Aparentemente, esse catarinense é o cliente vivo mais antigo do Banco do Brasil (BB) em Londrina. Teria sido o segundo a abrir uma conta na instituição o primeiro já teria falecido.
Durante o tempo em que movimentou a conta, há alguns anos parada, Trindade ouviu várias vezes dos bancários que era o segundo cliente do banco, como apontava o número da conta: 10.001/03. Decidido a se livrar de antigos documentos bancários, escolheu doá-los para o museu. ''Quando abri a conta nem passou pela minha cabeça se isso fosse ter alguma importância para outras pessoas'', afirma.
Segundo ele, isso aconteceu em 1960, quando a agência do BB funcionava ao lado do Cine Teatro Ouro Verde, no Calçadão de Londrina. Trindade havia acabado de adquirir um sítio, em Tamarana, e queria investir mais na agropecuária. ''Foi logo que o governo começou a fazer empréstimos. Eu plantava arroz, feijão, e tinha 50 cabeças de gado. Abri uma leiteria e durante muito tempo vendi 100 litros diários de leite para a Cativa'', detalha.
Como milhões de brasileiros, o agricultor amargou o desgosto de ter suas aplicações financeiras confiscadas pelo governo Collor, no início da década de 1990. Desde então, passou a movimentar muito pouco a conta. Ele nem se recorda se teve ou não o dinheiro de volta. O sítio foi vendido em 1977 e, hoje, Trindade recebe aposentadoria pelo Fundo Rural. Ele compara o movimento atual das agências bancárias com o de décadas atrás. ''Aumentou muito o número de clientes. Já tinha fila antigamente, mas nem tanto.'' (V.N.)

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