Rio Branco do Sul, na Região Metropolitana de Curitiba, está sendo palco de uma polêmica. Na semana passada, a Prefeitura do município fechou a sede da Associação de Mulheres Ativas da cidade (Amar), onde era prestado atendimento a mulheres vítimas de violência.
''Estávamos na hora do lanche e aí chegou um grupo da prefeitura, com um ofício da Secretaria (Municipal) de Governo que dizia que a prefeitura estava tomando posse do prédio e que a Amar deveria ficar numa sala onde funciona o nosso salão de cabeleireiro'', afirmou a presidente da Amar, Rosemar de Lourdes Hillmann.
''Eles trocaram as fechaduras. Nem as duas mulheres que estávamos atendendo, uma delas com duas filhas, de 11 e seis anos, conseguiram entrar para retirar os objetos delas. Nesta semana, eles tentaram fechar o salão também. Chamamos a Polícia Militar e eles foram tocados daqui'', disse Rosemar. A presidente da Amar apontou que a polêmica existe há tempos.
''Em 2000, ocorreram vários assassinatos de mulheres em Rio Branco do Sul e em Almirante Tamandaré. Em Rio Branco, a cada seis casos de violência, quatro eram contra mulheres. Nosso movimento já existia, mas nem tinha nome. A partir daquela época, começamos a nos organizar e a nos fortalecer. Em 2004, solicitamos à Câmara Municipal que fosse criada uma lei para estabelecimento da sede de um centro de abrigo para mulheres, com atendimento médico, psicológico e jurídico e com cursos profissionalizantes. Em 2005, a prefeitura sancionou a lei, mas não criou a sede. Em maio de 2006, obtivemos uma liminar para utilizar um prédio da Associação dos Servidores Municipais (Assem), que estava abandonado'', explicou Rosemar.
''O município não tinha interesse em nos oferecer uma sede. A Ação Social da prefeitura até nos encaminhou mulheres para serem atendidas, mas nunca recebemos ajuda de custo. Sustentamos a sede com a padaria comunitária, com a venda de roupas que recebemos de doações e que as mulheres reformam, com ajuda da comunidade'', afirmou a presidente.
''Depois da liminar, o Ministério Público solicitou um acordo. A prefeitura acertou que nos doaria uma área nos fundos da associação. Mas na hora de fechar o acordo, pulou fora. O ofício da Secretaria de Governo diz que, conforme o acordo, a prefeitura estava retomando o prédio. Mas o acordo não foi oficializado. Além disso, o prédio não pertence à prefeitura. Pertence à Assem. A prefeitura alega que a associação dos servidores passou a posse para o município, mas não temos conhecimento disso'', disse Rosemar. A Amar questionou o fechamento da sede na Justiça. Por enquanto, o recurso não foi julgado.
O Ministério Público informou que a disputa judicial é uma matéria de interesse privado e envolve uma questão de posse. O MP relatou que propôs que a presidente da Amar e a prefeitura fizessem um acordo, mas que as discussões não deram resultado.

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