Lupa é coisa do passado. A reportagem até encontrou uma delas sobre a mesa do detetive Antônio Carlos, mas era apenas um brinquedo da filha. Hoje, tudo é muito mais moderno. As investigações são feitas com câmera escondida e máquinas fotográficas com lentes de 600 milímetros, as quais permitem uma aproximação de até 300 metros. ''É um investimento alto. Só em uma lente paguei R$ 10 mil'', conta Antônio Carlos.
Os eletrônicos são os maiores aliados do detetive Salvador Rodrigues Junior. ''Há três anos não vou para a porta de um motel'', enfatiza. As investigações se dão por meio de escutas e câmeras escondidas.
O arsenal dele vai dos dispositivos mais simples, como a caneta que grava voz, aos mais sofisticados, como uma escuta para carro. ''É um celular que não toca e atende automaticamente. Escondemos o aparelho no automóvel e ligamos para ele. Assim, escutamos as conversas'', explica Junior. Além de investigar, ele também vende os produtos e ensina como utilizá-los.
A lista dos equipamentos inclui aparelhos capazes de rastrear veículos via GPS, telefones que mudam a voz e espiões de teclados de computadores.
Já o grampo telefônico é condenado pela maioria dos profissionais e proibido pela Lei Federal 9.296 de 1996. ''Quem for pego fazendo interceptação sem autorização judicial pode ficar de dois a quatro anos de reclusão'', informa o delegado-chefe da 10 Subdivisão Policial Sérgio Barroso.
Mesmo assim, há quem se arrisque. ''Eu não faço grampo, mas tenho um amigo que faz'', comenta um detetive que pede anonimato. (W.S.)

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