Aeroporto foi construído em terras de japoneses
No auge do café nos anos 40, diante da enorme movimentação de investidores em Londrina, a construção de um aeroporto se tornava cada vez mais urgente. O terreno onde o empreendimento seria construído já estava escolhido: abrangia 18 propriedades de imigrantes do Japão na Zona Leste. Entretanto, com a Segunda Guerra Mundial, os bens dos súditos japoneses haviam sido bloqueados pelo governo, para desespero dos membros do aeroclube.
''Em um dia de 1945, quando o Getúlio Vargas caiu, decidimos aproveitar que Londrina havia ficado sem prefeito e, durante a noite, fomos até aquela área e cortamos, nós mesmos, o café todo que estava plantado lá. Pela manhã, quando chegou o prefeito Ari Pizzato, ele já encontrou a pista do aeroporto 'limpa''', conta Jonas Faria de Castro Filho, referindo-se a ele e outros colegas do aeroclube que tomaram a iniciativa.
Naquele local foi construído um casebre de madeira, usado como ''estação''. O aeroporto só funcionaria com pistas pavimentadas em meados da década de 50. Antes disso, os aviões tinham que pousar na chamada Aviação Velha, localizada na Gleba Palhano, ainda mais distante do Centro.
No período anterior à crise do café, o Aeroporto de Londrina chegou a ser o terceiro do País em pousos e decolagens, inferior apenas ao de Congonhas (São Paulo) e ao Santos Dumont (Rio de Janeiro). A movimentação incluía aviões comerciais, particulares e táxi-aéreos, que dividiam um espaço ainda precário. ''Londrina era um chamariz. Os investidores usavam os aviões para sobrevoar a cidade e ver as terras que planejavam comprar'', aponta o ex-piloto.(V.N.)





