O acidente com o avião da TAM, no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, no mês passado, despertou temor em alguns moradores de regiões localizadas nas proximidades de aeroportos. Em Curitiba, residentes do bairro Bacacheri manifestaram preocupação nos últimos dias, apesar do aeroporto do bairro estar disponível apenas para pousos e decolagens de aviões pequenos.
Na semana passada, o diretor de uma escola pública localizada perto da cabeceira do Aeroporto do Bacacheri disse que a comunidade está apreensiva desde o acidente em São Paulo. ''Sempre consideramos bonito, curioso e até mesmo didático observar o pouso e decolagem das aeronaves. Entretanto, desde o dia 17 (de julho, dia do acidente em Congonhas) passamos a ter esse fator de desconfiança. Não só a escola, como todo o centro urbano'', afirmou o diretor, em entrevista a um site especializado em notícias sobre educação.
Luiz Tadeu Seidel Bernardina, da Associação de Moradores do Bacacheri, explica que a situação do aeroporto do bairro tem uma semelhança com Congonhas: com o início da utilização da pista (no Bacacheri, a partir dos anos 1930 e 40), o processo de crescimento da região se acelerou.
''Quando você constrói uma estrada, vai levando junto o progresso. Com um aeroporto, é a mesma coisa. As pessoas começam a morar em volta, com a conivência do poder público, e depois os moradores vão reclamar dos aviões'', diz o líder comunitário. Seidel aponta que há alguns anos foi feito um abaixo assinado para que o Aeroporto do Bacacheri deixasse de receber vôos comerciais. Hoje, passam pela unidade apenas aviões pequenos, de aeroclubes e serviços de táxi aéreo, por exemplo.
Seidel considera ''natural'' que moradores do Bacacheri sintam um certo temor após o acidente de São Paulo. ''Quem mora perto de aeroporto sempre fica um pouco apreensivo, assim como quem mora perto da curva de uma rodovia. Mas acho que o que podia ser feito no Aeroporto do Bacacheri já foi feito. Ao retirar os vôos comerciais, tirou-se o risco de grandes acidentes''.
A aposentada Josefina Blanchet Fernandes, que mora numa casa localizada em frente à cabeceira do Aeroporto do Bacacheri, diz não ter ''queixa''. ''A única vez em que aconteceu alguma coisa foi há uns dois anos, quando um avião pequeno 'escapou' e acertou um muro. Mas ninguém se machucou. Não vejo problema, e eu moro aqui há muitos anos. O barulho só incomodava quando o aeroporto ainda recebia avião grande'', explica a aposentada.
Giuseppina Ponzo, gerente da filial do Paraná de uma empresa de produtos de higiene e limpeza geral, trabalha num escritório perto da casa de dona Josefina. ''Aqui não é como em Congonhas, onde passam vários aviões grandes por hora. No Bacacheri, passam aviões pequenos, e bem de vez em quando. Certa vez, um avião passou baixo e o vento arrancou umas telhas, aí tivemos problemas de vazamento. Mas foi a única vez que aconteceu alguma coisa'', afirma a gerente.
José Alcides Cordeiro Oliveira, vendedor da empresa, tem receio. ''Corremos risco de morte em qualquer lugar, mas acho que aqui é maior. E eu acho o barulho estridente''.

mockup