Aerogeradores chegam a 113 metros de diâmetro
''A matriz energética de um país grande como o Brasil precisa ser múltipla, não pode depender de uma única fonte, mas, atualmente, mais de 80% da energia para fins de geração de eletricidade é de fonte hídrica'', adverte o professor de Engenharia Mecânica, Júlio Passos. Especialista em energia eólica, ele diz que o Brasil está começando a dar os primeiros passos no setor com incentivos do governo federal. Atualmente, a energia eólica representa menos de 1% da geração de energia elétrica no Brasil.
''Temos uma situação abençoada pela natureza e um potencial elevado para energia eólica. Já contamos com vários parques em estados do Nordeste, no Rio Grande do Sul e no Paraná. Essas unidades são compostas por aerogeradores capazes de fornecer energia elétrica para cidades. Com o sucesso desse sistema, conseguiríamos manter os reservatórios das hidrelétricas acumulados'', explicou. O maior parque eólico do Brasil está em Osório (RS) e é utilizado para geração de energia elétrica de uso doméstico.
Equivalente a um campo de futebol
Os modernos aerogeradores possuem três pás que alcançam diâmetro de 113 metros - o equivalente a um campo de futebol. De acordo com o professor Passos, as pás começam a rodar quando o vento está a 3m/s e atingem plena potência entre 13m/s e 15m/s. Dentro desse intervalo a geração de energia atinge o máximo projetado, independentemente da variação do vento. Aos 25m/s, a maior parte dos aerogeradores pára bruscamente para evitar danos.
''Nem sempre vale o princípio de quanto mais vento melhor, mas certamente quando tem muito vento, melhor. Mas nos interesa também que sejam mais constantes e não apresentem muitas rajadas ou turbulência'', disse Passos. ''O problema da energia eólica é que ela não está disponível o tempo todo, mas, se a gente tiver uma pesquisa do parque eólico do país, do regime de ventos, com dados de longo período, a gente tem uma boa capacidade de geração'', explica o professor Passos. Infelizmente, segundo ele, os estudos sobre vento no Brasil ainda são recentes e não alcançam uma série histórica mínima de 10 anos.
Custo alto e interesse baixo
O maior obstáculo à energia eólica, porém, é o alto custo - bastante superior ao de outras fontes. ''O governo federal está incentivando a produção de 1.400 megawatts de energia eólica e isso está auxiliando a indústria nacional porque exige-se um mínimo de 60% de nacionalização da empresa para poder participar. Mas a tecnologia existente ainda é muito cara. Para que a implantação seja viável são necessárias políticas públicas e subsídios, como se faz na Dinamarca, Alemanha e outros países'', afirmou.
A Companhia Paranaense de Energia Elétrica (Copel) está ampliando sua participação no parque de energia eólica, que mantém em sociedade com uma multinacional no município de Palmas (95 km a leste de Pato Branco), mas segundo seu presidente, Rubens Ghilardi, ''o melhor negócio do mundo'' continua sendo energia hidráulica.''O megawatt hora de uma usina hidrelétrica é de R$ 103 e da energia eólica chega a R$ 220''.
De acordo com o Ghilardi, o parque eólico estadual é muito pequeno e ainda não se viabilizou. ''Estamos comprando a parte do sócio privado, mas temos restrições porque os geradores são muito pequenos. Apesar de ter muito vento lá, ainda não é viável''.
O presidente da Copel disse também que a energia eólica vem sofrendo resistência de ambientalistas na Espanha em razão da morte de pássaros nas pás dos aerogeradores e pelo barulho excessivo de alguns modelos.(F.C.)





