No convite de formatura de 1963, Yolanda passa os olhos pela lista de docentes da faculdade e constata que a maioria já faleceu. Lamenta o fato, mas não chega a se surpreender. Afinal, já se passaram 41 anos desde a memorável cerimônia realizada no Cine Teatro Ouro Verde em 1963 para entrega dos diplomas da primeira turma da Faculdade Estadual de Direito de Londrina (FEDL). O grupo de formandos também representou os primórdios do Ensino Superior na cidade, já que apenas a primeira turma da Faculdade Estadual de Filosofia, Ciências e Letras foi, por uma diferença de meses, a mais antiga.
A pontagrossense Yolanda Nella Voigt Cosentino, 84 anos, estava lá. Era uma das quatro formandas do sexo feminino numa turma de 36 alunos. Entrou para a história como uma das primeiras advogadas graduadas em Londrina. Em junho deste ano, Yolanda foi homenageada com o Diploma de Reconhecimento pela Câmara Municipal.
Diante de tudo isso, Yolanda não age como ''personagem histórica''. Seu diploma não está pendurado na parede do escritório, onde advoga até hoje, porque não gosta de ostentá-lo. Aliás, ela nem sabe onde guardou o documento, só garante que não está no Museu Histórico de Londrina. Mas as memórias da época da faculdade continuam muito vivas. ''O curso funcionava em salas emprestadas do Colégio Hugo Simas. Os professores, muitos deles juízes, exigiam demais de nós. Mesmo porque a turma toda era madura, formada por pessoas que já tinham posição: médicos, políticos, bancários'', recorda.
Ela mesma já era professora no Hugo Simas e diretora do Colégio Evaristo da Veiga. Com 37 anos, já havia desistido de ser advogada. Mas o marido e os amigos usaram um truque para convencê-la a prestar o primeiro vestibular da Faculdade de Direito, realizado em 1958, segundo Yolanda. ''Eles me disseram 'olha, não tem nenhum candidato, se você não for, ninguém mais vai'. Acabei cedendo. Um dia antes do vestibular é que eu vi a quantidade de candidatos que tinha: mais de 120 para 40 vagas'', conta.
Entre as provas do concurso, havia uma disciplina inimaginável para os dias de hoje: latim. Yolanda foi aprovada e enfrentou a faculdade grávida, numa época em que mulheres ainda eram raras nos estudos avançados.
Yolanda recorda que houve um trabalho muito grande para a formação da faculdade, inaugurada com muito entusiasmo. ''Descobri que o londrinense sabe lutar pelas coisas e consegui-las'', diz. Até 1971, a faculdade de Direito e outras quatro faculdades funcionaram de modo isolado, até serem incorporadas pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), reconhecida no dia 7 de outubro.(V.N.)

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