Adotando um amigo
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segunda-feira, 17 de setembro de 2007
André Amorim<br> Equipe da Folha 
Eles têm quatro patas, focinho molhado e a necessidade de um lar. São milhares de cachorros que foram abandonados, se perderam dos donos, ou nasceram na rua e hoje aguardam a adoção em uma das várias Organizações Não Governamentais (ONGs) que abrigam animais em Curitiba e região.
Uma das mais conhecidas é a Sociedade Protetora dos Animais de Curitiba (SPAC), que hoje abriga cerca de 800 animais abandonados, muitos deles com a saúde bastante debilitada, como o filhote ''Valente'' que foi brutalizado por três adolescentes recentemente (veja o box). Segundo a voluntária Soraya Simon, vice-presidente da entidade, são adotados cerca de 30 bichos por mês. Mesmo assim o número de abrigados continua crescendo, pois o número de animais que chegam é maior do que aqueles que saem do abrigo. ''Já estamos superlotados, mas sempre chegam animais feridos e assustados e nós acabamos recebendo'', diz Soraya.
Devido ao grande número de animais, a SPAC teve sua sede, no bairro Santa Cândida, embargada pelo Ministério Público. Segundo Soraya, um novo terreno já foi comprado no município de Colombo, na Região Metropolitana de Curitiba, mas faltam recursos para construir o novo espaço. A renda da sociedade vem de doações e das consultas veterinárias feitas na entidade por um preço especial.
Outra instituição dessa natureza é a Associação Amigo Animal, que abriga mais de mil cães abandonados em sua chácara no município de Campo Magro, também na Região Metropolitana. Lá o índice de adoções é de apenas cinco animais por mês. A renda da associação vem de doações, venda de artigos (camisetas, canecas) e alguns eventos.
Para adotar um cão ou um gato, basta se dirigir a uma dessas entidades (veja quadro). O novo dono receberá um animal castrado, se for adulto, e devidamente tratado. Algumas instituições arcam até mesmo com o custo das vacinas. No caso de filhotes, é preciso retornar depois de alguns meses para efetuar a castração. A esterilização é um dos princípios básicos de todas as entidades que lidam com animais abandonados, pois faltam políticas públicas para o controle da população de animais.
Antes de adotar, é preciso ter em mente que esses animais irão precisar de cuidados e carinho e não apenas de um abrigo. Para se certificar das boas intenções dos donos, essas entidades realizam entrevistas com os futuros proprietários. Também é necessário preencher um termo de responsabilidade, onde o novo dono se compromete a dar condições de vida adequadas ao animal. Caso a pessoa não cumpra esse termo, a entidade pode fazer um boletim de ocorrência por Maus Tratos (Lei 9.605 de 1998).
Segundo Marcelo Misga, presidente da Amigo Animal, não são doados cães para pessoas que pretendem usá-los como animais de guarda. ''São cachorros para companhia, não para segurança, e a pessoa tem que dar condições mínimas de saúde e higiene'', afirma. Durante a entrevista também é avaliado se o pretendente à adoção têm noção de quanto custa uma consulta veterinária, se existe um espaço adequado para criar o animal e se todos os familiares aceitam o novo morador. ''A pessoa tem que entender que está adotando um ser vivo que têm expectativa de vida de mais de dez anos'', alerta Misga. Mesmo assim, segundo ele, a taxa de devolução dos animais é de 15%.
De acordo com Soraya, da SPAC, muita gente vai até o abrigo com o objetivo de adotar um cachorro ''bonitinho'', de raça definida, e muitas vezes não encontra o que quer. ''Os vira-latinhas geralmente sofrem preconceito'', diz.


