Era da tecnologia, da consolidação do capitalismo, de notícias que não param de chegar, vindas de todos os lados. Fatores como esses, que compõem a realidade da sociedade atual, contribuem para que jovens passem a buscar respostas, uma ''saída'' ou uma identificação com alguém e ou grupo social.
O estudante César Augusto da Silva Rodrigues, 19 anos, por exemplo, optou por ser um Straight Edge (sXe) e passou a conviver com um novo grupo de amigos sua tribo urbana , composta por jovens que compartilham os mesmos ideais que ele.
Rodrigues e seus amigos gostam de música, não bebem, não fumam, são contra as drogas, lutam pela libertação animal e são vegetarianos. ''Foi muito pessoal o momento em que resolvi me tornar um sXe. Eu não fazia nada da vida, não me preocupava com nada, nem em estudar. Há um ano quis mudar e agora ando em turma, com pessoas que curtem as mesmas coisas que eu'', diz.
As primeiras tribos urbanas começaram a surgir, na sua grande maioria, na década de 70, em um período pós-guerra do Vietnã. Mas, segundo a socióloga Francisca Vergínio Soares, foi na década de 80, na Inglaterra, que movimentos como os clubbers, punks, negros e gays passaram a se auto-afirmar dentro do sistema.
''As tribos são um fenômeno dos centros urbanos que surgem devido ao princípio do novo ordenamento social proporcionado pelo advento do capitalismo e que se caracteriza exatamente por sua fragmentação e singularidade'', explica.
Cada tribo tem seu modo próprio de se constituir, seja por meio de peças de vestuário, acessórios que compõem a estética do grupo; estilo de cabelo, tatuagens, piercing ou música. ''Se nos anos 60 e 70 as tribos se reuniam por convicções políticas, econômicas, culturais, hoje, os adolescentes e jovens se reúnem em tribos mais por modismo, levados principalmente pela cultura midiática'', salienta a socióloga.
Modismo ou não, Francisca ressalta que as tribos são uma expressão do ethos contemporâneo e que representam formas de ser típicas do mundo globalizado onde os jovens buscam pertencimento e identificação social. ''Fica no imaginário de cada um que todos são iguais pelo fato de que há um compartilhamento de elementos estéticos e de práticas sociais. O modo como essa imagem é internalizada confere aos membros a ilusão de identidade''.
A formação das tribos urbanas, especialmente de jovens, indica a fragmentação desses indivíduos dos laços familiares, já que buscam referenciais em grupos que expressam valores opostos daqueles encontrados nas famílias. A psicóloga Maria de Lourdes Martins da Silva, explica que o primeiro grupo social é o da família e, por isso é de extrema importância que o adolescente sinta uma estrutura familiar consolidada.
''O comportamento dos pais influencia os filhos. Têm pais que dizem uma coisa e fazem outra. Isso contribui para um sentimento de conflito no adolescente. É na desestrutura familiar que esse jovem vai buscar outros grupos, mas o normal é que esses grupos acabem se diluindo naturalmente com o passar do tempo. O jovem cresce e consegue encontrar um lugar na sociedade'', opina.

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