A administração municipal está conseguindo fomentar o desenvolvimento em cada região de Londrina, apesar do funcionalismo aquinhoado pela média salarial acima do mercado e restrito a uma jornada de seis horas. A avaliação é do prefeito Nedson Micheleti (PT), que falou com exclusividade à FOLHA. ‘‘O tamanho da perna é pequeno, não temos recursos para investir em todos os lugares ao mesmo tempo’’, justifica-se ao ser indagado sobre o critério de prioridade.
Mesmo assim, a situação hoje está melhor do que em 2001 e 2002, quando a sobra para investimento era praticamente zero, recorda Nedson. A folha de pagamento da prefeitura chegou a representar 68% da arrecadação, mas os ajustes exigidos pela Lei de Responsabilidade Fiscal fizeram com que essa relação caísse para 56% em 2006. A expectativa do prefeito é baixar para 54% neste ano e a 51% em 2008.
Segundo Nedson Micheleti, não há salários muito elevados na Prefeitura de Londrina, mas ‘‘a nossa média é muito acima do mercado, nas mais variadas carreiras. No passado, qualquer reajuste salarial era igual para todo mundo, o que explica as discrepâncias.’’
‘‘A política que implementei foi a de fortalecer as carreiras típicas, aquelas que são da essência da prefeitura, na educação, saúde, jurídico, no tributário, na fiscalização, e terceirizar e extinguir cargos nos serviços gerais, operários, vigilância, merendeira, serviços gerais, que empresa privada pode fazer com mais competência, mais rapidez.’’
A jornada de seis horas é outro grande problema, ‘‘para atender no decorrer do dia, tem de ter dois funcionários’’, expõe Nedson. E não se pode mudar, ‘‘benefício dado não pode ser tirado’’. Daí a opção pela terceirização, alvo de críticas. A favor, cita a jornada de trabalho maior na empresa privada, salário na média de mercado e a qualidade do serviço.
Com a terceirização extingue-se cargos em serviços gerais, na vigilância, de merendeiras e motoristas e se criam vagas em setores essenciais. ‘‘Criamos mais de 500 vagas na área de educação, de médicos, carreira própria na engenharia, para fiscalização de obras e elaboração de projetos; no jurídico, no tributário, na assistência social, assistentes sociais que hoje atendem diretamente nos bairros.’’
A próxima terceirização será da operação tapa-buraco. Hoje os operários, dependendo das distâncias, podem trabalhar apenas três horas por dia, calcula Nedson. ‘‘E se eu quiser que eles fiquem mais tempo, tenho de pagar hora extra. O salário deles já é superior ao salário de mercado e se eu pagar hora extra, aumenta o custo de pessoal.’’
Ao contrário, a empresa privada, recebe por serviço prestado e fica o dia inteiro, segundo o prefeito. Para Nedson, é a política adequada: ‘‘O que é da essência do serviço público, garantir com uma boa remuneração; o que não é, contratar empresa privada para fazer’’.
Comparação
Instado a comparar, proporcionalmente, a sua administração à do presidente Lula, por serem ambas petistas, mas com a diferença de uma ‘‘máquina’’ federal de 37 ministérios e mais de 20 mil cargos comissionados, Nedson Micheleti evitou se aprofundar e reafirmou a racionalização em Londrina.
‘‘Nós temos um quadro reduzidíssimo de cargos em comissão, dos menores do Paraná, não chega a 100, e número de secretarias baixíssimo, 15. E por mim teria reduzido, mas a Câmara não aceitou.’’
O prefeito disse que propôs juntar a Secretaria de Assistência Social, a do Idoso e a da Mulher, ‘‘uma só dava, mas não houve acolhimento na Câmara para essa opção.’’ Quanto ao presidente Lula ‘‘é diferente, está tendo uma visão do Brasil, (...) precisa daquela estrutura’’.
Do ponto de vista do prefeito, o presidente está correto ao propor mais gente para a vigilância da sanidade animal, ‘‘havia pouquíssimos profissionais nessa área’’, mas não deve aceitar pressão do Senado ‘‘para incorporar todos aqueles servidores que estão fora do serviço público desde a época do Collor, 15 mil, parece-me, que estão fora, não têm nada a ver, cada um tocou a vida, não eram essenciais para o Estado’’.

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