Administração volta a investir, mas a perna ainda é pequena
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segunda-feira, 10 de dezembro de 2007
Widson Schwartz<br>Especial para a FOLHA 
A administração municipal está conseguindo fomentar o desenvolvimento em cada região de Londrina, apesar do funcionalismo aquinhoado pela média salarial acima do mercado e restrito a uma jornada de seis horas. A avaliação é do prefeito Nedson Micheleti (PT), que falou com exclusividade à FOLHA. O tamanho da perna é pequeno, não temos recursos para investir em todos os lugares ao mesmo tempo, justifica-se ao ser indagado sobre o critério de prioridade.
Mesmo assim, a situação hoje está melhor do que em 2001 e 2002, quando a sobra para investimento era praticamente zero, recorda Nedson. A folha de pagamento da prefeitura chegou a representar 68% da arrecadação, mas os ajustes exigidos pela Lei de Responsabilidade Fiscal fizeram com que essa relação caísse para 56% em 2006. A expectativa do prefeito é baixar para 54% neste ano e a 51% em 2008.
Segundo Nedson Micheleti, não há salários muito elevados na Prefeitura de Londrina, mas a nossa média é muito acima do mercado, nas mais variadas carreiras. No passado, qualquer reajuste salarial era igual para todo mundo, o que explica as discrepâncias.
A política que implementei foi a de fortalecer as carreiras típicas, aquelas que são da essência da prefeitura, na educação, saúde, jurídico, no tributário, na fiscalização, e terceirizar e extinguir cargos nos serviços gerais, operários, vigilância, merendeira, serviços gerais, que empresa privada pode fazer com mais competência, mais rapidez.
A jornada de seis horas é outro grande problema, para atender no decorrer do dia, tem de ter dois funcionários, expõe Nedson. E não se pode mudar, benefício dado não pode ser tirado. Daí a opção pela terceirização, alvo de críticas. A favor, cita a jornada de trabalho maior na empresa privada, salário na média de mercado e a qualidade do serviço.
Com a terceirização extingue-se cargos em serviços gerais, na vigilância, de merendeiras e motoristas e se criam vagas em setores essenciais. Criamos mais de 500 vagas na área de educação, de médicos, carreira própria na engenharia, para fiscalização de obras e elaboração de projetos; no jurídico, no tributário, na assistência social, assistentes sociais que hoje atendem diretamente nos bairros.
A próxima terceirização será da operação tapa-buraco. Hoje os operários, dependendo das distâncias, podem trabalhar apenas três horas por dia, calcula Nedson. E se eu quiser que eles fiquem mais tempo, tenho de pagar hora extra. O salário deles já é superior ao salário de mercado e se eu pagar hora extra, aumenta o custo de pessoal.
Ao contrário, a empresa privada, recebe por serviço prestado e fica o dia inteiro, segundo o prefeito. Para Nedson, é a política adequada: O que é da essência do serviço público, garantir com uma boa remuneração; o que não é, contratar empresa privada para fazer.
Comparação
Instado a comparar, proporcionalmente, a sua administração à do presidente Lula, por serem ambas petistas, mas com a diferença de uma máquina federal de 37 ministérios e mais de 20 mil cargos comissionados, Nedson Micheleti evitou se aprofundar e reafirmou a racionalização em Londrina.
Nós temos um quadro reduzidíssimo de cargos em comissão, dos menores do Paraná, não chega a 100, e número de secretarias baixíssimo, 15. E por mim teria reduzido, mas a Câmara não aceitou.
O prefeito disse que propôs juntar a Secretaria de Assistência Social, a do Idoso e a da Mulher, uma só dava, mas não houve acolhimento na Câmara para essa opção. Quanto ao presidente Lula é diferente, está tendo uma visão do Brasil, (...) precisa daquela estrutura.
Do ponto de vista do prefeito, o presidente está correto ao propor mais gente para a vigilância da sanidade animal, havia pouquíssimos profissionais nessa área, mas não deve aceitar pressão do Senado para incorporar todos aqueles servidores que estão fora do serviço público desde a época do Collor, 15 mil, parece-me, que estão fora, não têm nada a ver, cada um tocou a vida, não eram essenciais para o Estado.


