Do último parque ao ar livre de Curitiba, restam apenas peças e brinquedos desmontados no chão. A roda gigante, o carrossel, o trem fantasma e até mesmo os conhecidos pedalinhos não fazem mais parte das atrações oferecidas pelo Parque Barigui. A desativação do parque de diversões Alvorada - o mais antigo da cidade - começou, nesta semana, e é resultado de um mandado de reintegração de posse do espaço pela Urbanização de Curitiba S/A (Urbs), administradora do contrato com o parque.
Após várias notificações da Comissão de Segurança em Edificações (Cosedi), por falta de segurança, sem que a administração do parque corrigisse as irregularidades, a prefeitura decidiu reaver a área. Em outubro do ano passado, a Urbs cancelou o contrato com o Alvorada. De acordo com o órgão, havia brechas no contrato para o cancelamento da concessão da área, em caso de interesse do município em reutilizar o espaço.
Familiares do dono do Alvorada, Milton França, não querem falar com a imprensa. Uma filha do empresário disse, apenas, que a família ainda não decidiu o que vai fazer com os brinquedos e que o pai não irá se manifestar sobre o assunto devido a um problema de saúde. A prefeitura também não definiu, ainda, a que será destinada a área em que se localizava o parque.
O Alvorada fez parte da vida de muitos dos frequentadores do Parque Barigui, de seus filhos e netos. Porém, alguns concordam com a desativação do local, que não apresenta muita segurança. "Até pega mal para a cidade ter uma coisa dessas aqui", afirma o casal Rogério e Beatriz Abagge, 59, que caminham no parque há muitos anos. Eles contam que não deixavam os netos de 5 e 7 anos usarem os brinquedos por considerarem "muito perigosos."
Quando seus filhos, que hoje têm 21 e 23 anos, eram crianças, Omar Hichmen, 47, já percebia a falta de cuidados na manutenção dos brinquedos. Ele não é a favor da desativação do parque, mas sim de uma revitalização do espaço. "Tinha que arrumar, fazer uma coisa nova, ampliar mais para trás. Curitiba, que é considerada uma cidade de primeiro mundo, tinha que ter parques bonitos e bons", diz.
Para as amigas Vera Egg, 30, e Vanessa Kozlowski, 23, a desativação do parque não vai prejudicar os pequenos. "As crianças se adaptam e brincam onde for, andam de bicicleta, brincam com bola", afirma Vera. "Mesmo se o parque continuasse, precisaria que alguém garantisse a manutenção", complementou Vanessa.

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