Adeus aldeia velha
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 19 de dezembro de 2008
Rafael Urban<br>Equipe da Folha 
A exposição "Beleza Ameaçada", sobre a cultura indígena paranaense, dos fotógrafos Oswaldo Eustáquio Filho, 30, e Sandra Volf, 26, passou este ano por Portugal e segue, em 2009, para Japão e Austrália. O casal também participa da ONG Aldeia Brasil, que trata de direitos indígenas. A aproximação da dupla com a cultura vem por Sandra ser filha do terena Marcos Pedro, que trabalha junto dos Guarani há mais de 20 anos.
No dia nove deste mês, inaugurou em Curitiba a primeira aldeia urbana do Sul do Brasil. Batizada "Kakané Porã" - do caingangue "fruto" e do guarani "bom". O espaço, no bairro Campo do Santana, vai reunir 31 famílias dos dois povos além de outras quatro da etnia Xetá. Dezoito delas vieram da Reserva do Cambuí, às margens da Avenida Comendador Franco, 9.553, onde viviam em uma ocupação irregular em condições precárias desde 2002.
Enquanto inaugurava a aldeia nova, Cambuí, que já estava em ruínas, ia ao chão com o auxílio de uma retroescavadeira. O fotógrafo Oswaldo Eustáquio Filho acompanhou os últimos momentos da aldeia velha, em seu último dia. "Sinto apenas que a mudança não ocorreu antes. Poderia ter evitado uma tragédia", diz. Renato da Silva voltava para casa de bicicleta quando foi atropelado a poucos metros do Cambuí, pouco mais de um mês da mudança para Kakané Porã. Uma cruz na beira da estrada registra a data: 7/11/2008.


