Adesão irracional à política
Especialista em Filosofia Política, o cientista político Elve Cenci também cita a influência de Belinati em parte expressiva de um eleitorado dividido e, ao mesmo tempo, apaixonado por política. Além de termos aqui um número de filiados a partidos acima do que se vê na média, no Paraná, as próprias eleições, muito apertadas, revelaram essa adesão irracional à política; as pessoas se envolvem no debate, comentou.
Cenci, contudo, faz questão de apontar um aspecto que, se por um lado não tira de Londrina a pecha de cidade há tempos envolvida com o debate político, por outro, mostra que ainda há o muito o que se avançar. O estudioso se refere às iniciativas populares de acompanhamento dos atos dos administradores públicos, dos quais a mais conhecida foi o Movimento pela Moralidade na Administração Pública, de 1999. Que papel esses fiscais desempenham no cenário atual? As únicas pessoas que poderiam encabeçar novamente esse tipo de ação acabaram se envolvendo ou se engajando em campanhas políticas podem ter migrado do movimento para a prática, mas, neste momento que a cidade vive, uma das exigências de um movimento desses é que ele seja apartidário, pois mantém a autonomia e a credibilidade perante a população, e, de quebra, não corre o risco de ser instrumentalizado por nenhum partido.
Em resumo, na opinião do estudioso, nesse aspecto de participação, Londrina acaba sendo uma cidade como qualquer outra do Brasil. Pois faltam posicionamentos mais críticos e exigentes e a participação menos deficitária e mais racional, pois muitas críticas que se ouvem, por exemplo, não se materializam em envolvimento qualificado. Se ele é otimista de que esse quadro mude, para os próximos anos? A democracia faz avanços bastante lentos, mas percebe-se que as mudanças vêm, sim, aposta.(J.G.)





