Adesão da população é essencial
O papel da sociedade civil organizada no combate a dengue é essencial para manter a doença afastada do Paraná. Associações de bairro, condomínios e outras lideranças comunitárias têm o poder de multiplicar as ações dos órgãos públicos e impedir a propagação da doença.
Um bom exemplo dessa prática pode ser vista em pleno centro de Curitiba. A presidente da Associação dos Moradores da Praça Santos Andrade e do Passeio Público, Edeluz Maria Alves, leva aos síndicos dos prédios da região os materiais educativos da prefeitura, que são copiados e distribuídos aos moradores. Ela também instrui esse público a receber bem os fiscais sanitários que procuram por focos de reprodução do mosquito transmissor.
Há alguns meses, os moradores da associação denunciaram à prefeitura a existência de uma grande quantidade de água parada na obra de um posto de gasolina na Rua Presidente Faria. ''Depois da nossa denúncia o local foi vistoriado e fechado'', comemora Edeluz.
Para facilitar essa difusão, a prefeitura de Curitiba dividiu a cidade em nove distritos sanitários, que além das macro-diretrizes comuns à todas às regiões da cidade, debatem ações pontuais e específicas para cada localidade.
''O pessoal telefona, pergunta, denuncia e os líderes comunitários participam das reuniões'', conta Tomaz Takeuchi, biólogo do distrito sanitário do Pinheirinho.
Apesar desse esforço, nem sempre é possível mudar o comportamento das pessoas. Para Neuza Resella, integrante do Comitê Municipal Contra a Dengue, e que participa dos conselhos de saúde de dois bairros da capital, falta adesão do povo nessa luta. ''Tem gente que acha que a prefeitura tem a obrigação de fazer tudo pra eles'', indigna-se.
Há alguns meses Neuza denunciou casas abandonadas com focos de dengue e alertou para os cacos de vidro em cima dos muros, capazes de reter a água da chuva, mas considera sua atuação um fato isolado quando o assunto é cidadania. ''Eles não sabem nem que vai ter eleição esse ano'', lamenta. (A.A.)





