Açúcar agora é mau negócio
Vânia Casado
De Curitiba
Destilarias e fornecedores de cana-de-açúcar estão em situação de desespero. Já não bastavam os baixos preços do álcool, que podem levar as empresas à falência, agora os preços do açúcar também estão em queda. Segundo a Associação dos Produtores de Álcool e Açúcar do Paraná (Alcoopar), as empresas estão sem mercado para o álcool e o produto é negociado até por R$ 0,15 o litro, nível bem abaixo do custo de produção, que é de R$ 0,36 o litro, e do preço tabelado de R$ 0,41 o litro. O preço do açúcar caiu para R$ 13,44 a tonelada, cerca de 5% inferior ao preço médio pago em junho.
O mercado de álcool continua crítico. A situação se agravou desde o ano passado, quando o governo federal liberou os preços do álcool hidratado e da cana-de-açúcar. O governo deixou de comprar a produção, não adota programas de estímulo ao consumo e os produtores de álcool ficaram sem mercado. Com o mercado livre, sobrou prejuízo também para os produtores, que deixam de receber o valor de garantia de R$ 17,10 a tonelada.
Para o superintendente da indústria da Cocamar, Celso Carlos do Santos Júnior, o governo deixou de estabelecer mecanismos para garantir a sobrevivência do setor num mercado competitivo. As empresas foram atiradas ao mercado livre em uma situação das mais adversas, diz. Ele lembra que os estoques de álcool começaram a se acumular com o fim do carro a álcool e a forte pressão econômica exercida pelas companhias distribuidoras. Houve uma brutal transferência de renda do setor alcooleiro para as distribuidoras, destaca.
Com essa safra que está sendo colhida, serão produzidos mais 1,1 bilhão de litros de álcool e 1,2 milhão de toneladas de açúcar. Com isso os estoques no Paraná se elevam para 2,1 bilhões de litros, provocando inclusive problemas de armazenagem. Segundo a Secretaria da Agricultura, o governo federal está realizando leilões para compra do álcool, mas a medida é considerada insuficiente pelos empresários para reativar o setor. O governo já comprou 8,4 milhões de litros de álcool, em junho, pelo preço médio de R$ 0,25 o litro.
O economista da Seab Disonei Zampieri salienta que a capacidade das destilarias existentes no País está 35% acima das necessidades atuais de mercado. São cerca de 300 destilarias, com uma capacidade instalada de 16,5 bilhões de litros por ano/safra, observa. O mercado de álcool entrou em declínio desde que o governo deixou de estimular, com subsídios, a aquisição do carro a álcool.
Conforme levantamento feito por Zampieri, em 1986, 76% da produção de veículos era a álcool. Em 1994, essa taxa caiu para 10% e hoje quase tende a zero. Estimativas das empresas indicam que seriam necessárias cerca de 250 mil unidades por ano para reequilibrar a oferta e demanda de álcool. Para o setor voltar a ter competitividade seria necessário que o preço do álcool voltasse ao patamar de 40% abaixo do preço da gasolina, afirma.Preço do álcool está abaixo dos custos de produção e o do açúcar já é 5% inferior ao pago em junho
Arquivo FolhaLonge de ter o preço do álcool recuperado, o setor produtivo enfrenta agora a queda de preços do açúcar. A situação é considerada crítica e, segundo a Alcoopar, muitos empresários podem até ir à falência





