A votação em Londrina foi considerada ‘‘tranqüila’’ por juízes, promotores e policiais que coordenaram o processo. A tradicional sujeira de ‘‘santinhos’’ de candidatos ocorreu de forma reduzida e se concentrou nos distritos da Zona Rural e bairros periféricos - a região central teve a eleição mais limpa da história. Segundo apuração da FOLHA, o Colégio Estadual São José, no Jardim Leonor; a Escola Estadual Professora Maria do Rosário Castaldi, no Jardim Bandeirantes (Zona Oeste); e a Escola Estadual Hugo Simas (Centro), foram alvo de panfletagem dos candidatos.
  ‘‘Tirando alguns casos isolados, podemos dizer que a cidade ficou limpa nessas eleições e o eleitor votou traqüilo, sem influências. É um grande avanço’’, disse pela manhã o juiz da 42ª Zona Eleitoral, Carlos Maurício Ferreira, que coordena as eleições 2008 em Londrina.
  A promotora da 42ª Zona Eleitoral, Solange Novaes Vicentin, passou por diversos colégios eleitorais e registrou exemplos de desrespeito. ‘‘A gente documentou com fotos para facilitar o trabalho. Passada a eleição, vamos contabilizar os problemas e executar as dívidas. Teve candidato que não respeitou o acordo para manter a cidade limpa’’, disse. A multa para candidatos a vereador que sujaram a cidade ficará em R$ 5 mil, e para prefeito em R$ 50 mil.
  Durante o horário de votação, dez cabos eleitorais foram detidos por realização de boca-de-urna e encaminhados ao Ginásio de Esportes Moringão e à delegacia da Polícia Federal (PF). Todos foram autuados e terão que responder às acusações na Justiça Eleitoral. ‘‘Se trata de um crime de menor potencial ofensivo, com pena de seis meses a um ano de detenção, ou prestação de serviços à comunidade e pagamento de multa’’, explicou o juiz de plantão, Délcio Miranda da Rocha. O delegado-chefe da PF, Evaristo Kuceki, estimou que as autuações serão encaminhadas nesta segunda-feira ao fórum. De acordo com ele, os dez cabos foram detidos em sete diferentes situações.
  Um outro tipo de ‘‘abuso’’ registrado pela Justiça Eleitoral refere-se aos veículos com adesivos - alguns com grande quantidade de propaganda - de candidatos estacionados perto de locais de votação. Em muitos casos, os veículos foram retirados a pedido da Justiça ou da Polícia. ‘‘Recebemos várias denúncias desse tipo. É muito tênue essa relação entre o que é crime (eleitoral) e o que não é. Às vezes, a pessoa entra para votar, demora um pouco. Então, nos casos que constatamos pedimos para as pessoas retirarem os carros’’, disse pela manhã o tentente Ricardo Eguédis, relações públicas do 5º Batalhão da Polícia Militar. Durante a manhã, o juiz Carlos Ferreira informou à FOLHA que pediu para retirar um veículo adesivado que estava estacionado em frente ao Colégio Maxi.
  O juiz Carlos Ferreira também foi responsável por tentar contornar uma situação inusitada. No Colégio Canadá, na 42ª  Zona Eleitoral, um eleitor recebeu o comprovante de voto de outra pessoa. ‘‘Quando o segundo eleitor foi votar, não tinha comprovante. Falei que ele podia ir para a urna normalmente que eu forneceria uma certidão de voto, mas ele não aceitou. Foi um erro da mesa, mas o direito ao voto foi garantido’’, afirmou o juiz.

Urnas eletrônicas
  O funcionamento das 986 urnas eletrônicas utilizadas em Londrina também foi considerado satisfatório. Até o fechamento da votação, às 17h, 14 urnas tiveram que ser trocadas. ‘‘É um número baixo. Os problemas com as urnas em Londrina vêm diminuindo a cada eleição’’, explicou o coordenador dos técnicos de urnas, Antônio Carlos Inácio. Os votos registrados nos equipamentos que apresentaram problemas foram preservados e repassados para as urnas de contingência. Inácio afirmou que problemas menos graves foram constatados em aproximadamente 60 urnas. ‘‘Nesses casos, não houve troca porque após desligar e religar o equipamento, eles voltaram a funcionar normalmente.’’ No início da noite de ontem, funcionários do Fórum Eleitoral contabilizaram manualmente os votos de cinco urnas eletrônicas que apresentaram problemas.

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