Os turnos de trabalho ininterrupto da Dixie-Toga em Londrina vão ser possíveis graças a um protocolo assinado entre prefeitura, Delegacia Regional do Trabalho e representantes da empresa. Segundo o documento, a empresa está autorizada a funcionar aos sábados, domingos e feriados. Serão três turnos de trabalho, 24 horas por dia, todos os dias da semana.
Com o acordo foi possível aumentar a expectativa de geração de empregos, passando dos 348 previstos inicialmente para 432. Até o final de 98 a indústria deverá estar empregando 800 pessoas, segundo o delegado regional do trabalho, Tércio Alves de Albuquerque. ‘‘Este foi o compromisso assumido pela empresa para viabilizar o acordo, que acaba com horas-extras. Ao contrário do que muitos imaginam, horas-extras são prejudiciais porque resultam em cansaço e doenças ocupacionais’’.
Albuquerque diz que não há problema em autorizar o funcionamento aos sábados, domingos e feriados desde que a Dixie cumpra os requisitos exigidos pelo Ministério: laudo técnico sobre a necessidade do aumento da atividade produtiva, estabelecimento da necessidade no acordo coletivo de trabalho ou anuência dos empregados e escala de revezamento.
O gerente administrativo da indústria, João Batista Fontes, calcula que a massa salarial deve aumentar para cerca de R$ 40 mil por mês devido o crescimento da quantidade de mão-de-obra. O gerente de recursos humanos do grupo, Nelson Fernandes, conta que o funcionamento das máquinas de ‘‘segunda a segunda’’ aumentará a produtividade já que alguns equipamentos, quando desligados, demoram até 16 horas para retomar suas atividades.
OportunidadesA instalação de empreendimentos como este em Londrina movimenta e anima a construção civil. ‘‘Essas obras são muito bem-vindas. Se elas não são suficientes para acabar com o desemprego, já é alguma coisa’’, avalia o diretor do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Construção Civil, José Aparecido Martins.
Antes de ir para o canteiro de obras da Dixie-Toga, o pedreiro Joaquim da Silva, de 32 anos, estava desempregado fazia dois meses. Casado e com dois filhos, ele conta que, assim que terminar o serviço na Dixie, vai para outra obra. O servente Damião Nunes de Oliveira, de 22 anos, chegou de Alagoas há nove meses, atrás de emprego. Antes de ir para a obra da Cidade Industrial, estava trabalhando num colégio. Como servente, está ganhando R$ 220,00 por mês. ‘‘Em Alagoas, recebia R$ 30 por semana’’.

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