Acidentes e trapalhadas no motel
Blecautes, princípios de incêndio e inundações. Os móteis procuram oferecer o máximo de conforto e segurança, mas às vezes acidentes e imprevistos acontecem, causando sustos e cenas de comédia pastelão.
Ninguém estranha quando, numa conversa sobre motéis, ouve dizer que o clima esquentou. Mas as vezes o clima realmente esquenta ao ponto de resultar em chamas. Num motel tradicional da cidade, uma cliente, muito preocupada com a higiene da banheira de hidromassagem, resolveu limpá-la com as próprias mãos. Sacou um litro de álcool, derramou o líquido inflamável e jogou um fósforo aceso.
O resultado foi um princípio de incêndio que danificou bastante o quarto. O nome do motel onde aconteceu o incidente é mantido sob sigilo à pedido da direção. Ocorrências com enchentes são mais comuns. Já aconteceu de eu calcular mal o nível da água na banheira de hidromassagem e aí, quando entramos, transbordou tudo, conta o publicitário Adilson Cordeiro Junior, 24 anos, frequentador assíduo de motéis.
O estudante Claudio Henrique Cardoso, 22 anos, também enfrentou uma pane hidráulica que quase comprometeu sua noite. A torneira da banheira de hidromassagem emperrou e não queria fechar mais. Chamei o serviço de quarto, mas a camareira não conseguiu ajudar. Para resolver o problema, ela foi buscar um segurança. Enquanto isso, minha namorada estava escondida no banheiro, morrendo de vergonha.
Problemas mecânicos com carros também acontecem com frequência nos móteis, colocando os donos em maus lençóis. O técnico em informática Arnaldo Luís Torres, 25, já teve que deixar um motel menos de meia hora depois de entrar, por culpa da ventoinha do seu carro. Ela não parava mais de funcionar, fazendo um barulho muito grande. Não consegui desligá-la. Se eu deixasse funcionando, iria acabar a bateria. Tive que ir embora, lembra.
O comerciante Carlos O., 24 anos, passou por um incidente mais complicado. Na hora de ir embora, o carro não pegava. Tive que ligar para meu irmão, que foi me buscar e depois ajudou a achar um mecânico, conta. Alguns frequentadores não correm o risco de passarem por situações como esta, devido ao meio de locomoção que adotam. É comum ver casais chegando de taxi e até ônibus, informa o dono do Black Stallion, José Dorigo Neto.
Mas aperto mesmo passou o jornalista R. E., 26 anos. Numa noite recém iniciada no motel LAmour, um blecaute deixou tudo no escuro. Me assustei e liguei para a recepcionista. Ela me disse que quedas de energia eram comuns na região, conta. Resolvi, então, dar uma espiada pela janela e levei um susto: vi um homem rondando a suíte com uma espingarda na mão. Achei que era um assalto e liguei de novo para a recepção, só que dessa vez ninguém atendeu. Entrei em pânico.
Felizmente, tudo não passou de um alarme falso. Quando a luz voltou, descobriu que o homem armado era um segurança do motel. Mesmo com tudo esclarecido, a noite do jornalista acabou por ali mesmo. Fui embora. Não tinha clima para mais nada. (F.C.)





