Achados, perdidos e curiosos
O local é de longe o mais engraçado da Rodoferroviária de Curitiba. Numa pequena sala subterrânea, objetos esquecidos pelos passageiros nas dependências da estação se amontoam nas prateleiras, acompanhados de uma etiqueta com a data em que foram encontrados e também de histórias divertidas. E tem de tudo, desde os mais comuns, como bolsa, mala, agenda, travesseiro e guarda-chuva, até coisas realmente inusitadas, como uma roda de bicicleta, uma foice, bengala, serrote e três dentaduras.
Trabalhando na administração há 15 anos e responsável pelo setor de Achados e Perdidos há oito anos, Osvaldo Schlusaz destaca ainda outros ''hóspedes'' que já passaram uma temporada no local. ''Já teve cadeira de roda e muleta, que não sei como a pessoa saiu andando sem. Teve um fogão, colchão de casal e até uma lateral de Belina'', recorda. Mas como alguém pode esquecer uma lateral de Belina na rodoviária? ''Acho que é por vergonha, ou dificuldade de carregar'', palpita Osvaldo.
De acordo com o chefe do setor de terminal rodoviário, Jair Carvalho, os objetos ficam guardados por 90 dias, à espera do dono. Após o período, todos são encaminhados para a Fundação de Assistência Social (FAS) da Prefeitura de Curitiba, que cuida da destinação. Quando o produto é perecível, o prazo é de 24 horas, para que seja escolhida uma instituição que irá recebê-lo. ''Mas sempre tentamos identificar algum detalhe, algum telefone ou nome, que nos permita entrar em contato com o proprietário'', explica Jair. Situação que não foi possível, claro, com a lateral da Belina. ''Não lembro o que foi feito, mas não conseguimos achar o dono, não. Aliás, desconfio que ele não queria ser achado mesmo'', brinca.
Entre todos os objetos guardados atualmente, Osvaldo elege um ''apetrecho sexual'', encontrado no fim do ano passado, como o mais curioso. ''Olha, eu nem sei explicar direito o que é aquilo. É um negócio de borracha, com uma cinta, essas coisas de sex shop. Desconfio que alguém ficou sem presente de Natal'', brinca.(M.M.)





