O armário mais parece um brechó, com a grande quantidade de roupas usadas. Outra parte se assemelha a um sebo, com diversos livros já lidos. Assim é o depósito do Aeroporto Internacional de Curitiba, local onde os objetos esquecidos por lá são deixados. Mas não pense que o espaço abriga apenas peças de roupas e literatura. São malas, bolsas, muletas, bichos de pelúcia, remédios, pacotes de presente, bolas de futebol, celulares e travesseiros. Tem também guarda-chuva, barraca, chave e muito documento.

Alguns objetos são menos comuns. Já foi encontrado no aeroporto um micro-ondas, três bicicletas, um vibrador ainda na caixa e uma sacola cheia de revistas pornográficas. No último caso o dono foi buscar a mercadoria. ''Aproximadamente 30% dos objetos esquecidos são procurados pelos donos'', explica a responsável pelo setor de achados e perdidos do aeroporto, Márcia Klosovski.

No próximo mês haverá ''uma limpa'' no armário de usados. A cada três meses os objetos são encaminhados para a Justiça Federal e os documentos para os Correios. Há algum tempo os objetos eram doados para instituições como a Apae (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais) de São José dos Pinhais e para a Afece (Associação Franciscana de Educação ao Cidadão Especial) de Curitiba. É isso que ocorre com os objetos esquecidos dentro dos aviões, de responsabilidade das próprias companhias aéreas.

Apenas em 2008 foram encontrados 2.318 objetos no aeroporto. No total foram 718 itens restituídos aos proprietários. Maio foi o mês com maior quantidade de objetos encontrados (237) e novembro o de menor número registrado (161). Em 2007 foram 2.334 itens encontrados. Os campeões em esquecimento são documentos, seguidos de peças de roupas como blusas e jaquetas. Chaves e livros também são frequentemente esquecidos.

São encontrados objetos em todas as partes do aeroporto, inclusive no estacionamento. Mas o banheiro e a esteira de raio-x são os lugares onde mais se encontram pertences. Ao encontrar algo perdido a pessoa pode levar o material até o balcão de informações. Ele será catalogado e enviado para o depósito. Caso haja alguma identificação do proprietário as atendentes entram em contato para avisar da perda. Mas isso raramente é realizado pela falta de identificação e etiquetas de informações com dados sobre o proprietário.

Ao ligar ou dirigir-se ao balcão de informações, a pessoa deve falar as características do objeto perdido para assim ter direito de recuperá-lo. Esse é um procedimento de segurança para entregar o material somente para quem é o dono. Mas em uma ocasião este método não foi suficiente. Uma senhora se dirigiu por diversas ocasiões ao balcão de informações solicitando a recuperação de peças de roupa. Pela quantidade de vezes que ela compareceu ao local, a segurança desconfiou. Quando percebeu que estava cada vez mais difícil conseguir algo, ela deixou de solicitar as peças. Acredita-se que a senhora possuia um brechó.

Valiosos e estranhos
Alguns objetos curiosos também são encontrados no aeroporto, como uma dentadura no banheiro. ''Ela veio toda embrulhada em papel e estava bem suja. Ninguém queria pegar nela'', revela a supervisora do balcão de informações, Paula Ruiz. Além disso também tem prancha de surfe e bengala. Em uma ocasião foi achada uma carteira com 300 euros. O dono não foi buscar e o objeto com o dinheiro foi encaminhado para a Justiça Federal. ''Um dia uma mulher veio buscar a carteira que o marido havia perdido. Ela começou a discutir com a atendente pois falava que faltava dinheiro. Foi quando ligou para o marido e descobriu que as notas estavam escondidas em outro compartimento da carteira'', conta Paula.

As zeladoras também costumam encontrar muita coisa. Desde cheque de R$ 600 até pochete com mil euros repleta de cartões de crédito. ''Quando encontramos uma caixa ou bolsa fechada não encostamos nela. Acionamos os vigilantes que entra em contato com a polícia. O material passa pelo raio-x. Isso serve de precaução caso seja uma bomba'', conta a encarregada da limpeza Yonice Braz Mendonça.

O banheiro costuma ''abrigar'' alguns pertences ilícitos, como drogas e armas. Ou foram realmente esquecidos, ou foram deixados de propósito pelo medo de passar pelo detector de metais e pelo raio-x.

As pessoas que perderam algum objeto no Aeroporto Internacional Afonso Pena podem procurar, pessoalmente, o balcão de informações da Infraero, que fica no primeiro andar ou piso de embarque do terminal de passageiros. Também podem ligar para os telefones (41) 3381-1494, 3381-1450, 3381-11229 ou 3381-1149. O atendimento do balcão de informações é 24 horas, de domingo a domingo.

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