Acerte na cortina
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quinta-feira, 09 de novembro de 2017
Amanda de Santa<br>Especial para a FOLHA 

Elas vestem as janelas, oferecem privacidade, conforto térmico e visual, e ainda compõem a decoração dos ambientes de uma casa. Populares, as cortinas possuem uma variação enorme de modelos, tecidos e preços e é justamente essa ampla oferta de possibilidades que pode complicar a escolha da peça ideal para cada espaço da residência.
Procurar orientação profissional é o primeiro passo para não errar. A arquiteta especializada em projetos de interiores, Patrícia Cillo, do escritório Figoli-Ravecca, em São Paulo (SP), explica que, antes de escolher o modelo, é necessário pensar na funcionalidade desejada para a peça. Se ela será usada apenas como item decorativo ou para vedar a luminosidade, por exemplo. O ideal é fazer a cortina sob medida.
Para a sala de TV, a arquiteta orienta o uso de dois tecidos, um mais leve, para cobrir a janela durante o dia ou enquanto a família não está com a televisão ligada, e outro mais pesado, tipo blackout, para bloquear a luz externa e deixar o espaço mais aconchegante. Este último tecido pode ser usado também no quarto, para escurecê-lo.
Na cozinha, as melhores opções são a persiana e a tela solar. "Mas não é regra", ressalta Patrícia. Ela afirma que os modelos são indicados por terem a manutenção mais simples. A tela solar, por exemplo, pode ser limpa com um pano umedecido com álcool. A peça filtra a luz do sol sem deixar o cômodo escuro.
Aliás, a escolha do modelo depende muito da preferência de cada morador e do estilo de arquitetura. As cortinas em tecido, de acordo com a especialista, dão um ar mais aconchegante, enquanto que as persianas são mais adotadas em escritórios, cozinhas e áreas de serviço por serem práticas na manutenção e limpeza.
Hoje, existem muitos modelos de persianas no mercado, das simples até as mais sofisticadas. "Em apartamentos com decoração minimalista ou industrial, a persiana casa muito bem, assim como os tecidos sem muitas pregas ou as cortinas com efeito wave [onda]", exemplifica a arquiteta. Quanto ao tamanho, ela diz que a tendência é usar as cortinas até o chão ou, se houver um móvel abaixo da janela, até a altura dele.
Não é recomendado deixar o tecido encostar no piso. "O ideal é que ele seja instalado até dois centímetros acima", orienta. Patrícia diz que é preciso cuidado com a manutenção, porque alguns tecidos, quando lavados, cedem bastante e a cortina fica caída. É importante seguir as instruções do fabricante quanto ao processo de lavagem.
TECNOLOGIA COMO ALIADA
Uma das principais tendências no mercado de cortinas é o sistema de trilho suíço, em que o tecido desliza no varão, sem a necessidade de ser ajustado com as mãos. Outra vantagem é que ele fica "invisível", principalmente quando há acabamento em gesso. Neste caso, a impressão é de que a cortina sai de dentro do forro.
A empresária Gisele Simoni Coda, da Espaço Cortina, em Londrina, conta que o trilho suíço é o sistema mais moderno existente no mercado e que ele pode ter o comando manual ou motorizado. "Indicamos a automação para ambientes com pé direito alto, de difícil acesso", aponta.
Segundo Gisele, uma infinidade de tecidos pode ser escolhida para a produção da cortina. Há opções que vão de R$ 10 a R$ 200 o metro. O linho é um dos preferidos. Ela recomenda usar o sintético, que tem manutenção mais prática, porque pode ser lavado várias vezes, e por isso é o mais indicado para pessoas alérgicas. "Não encolhe, não desbota e nem deforma na lavagem", garante.
Limpeza, aliás, que deve ser feita ao menos uma vez ao ano. Para remover o pó e manter a cortina em boas condições de uso, é possível utilizar um aspirador no dia a dia. Alguns tecidos podem ser lavados em casa. As persianas exigem um cuidado a mais, o ideal é utilizar o serviço de empresas especializadas para não danificar ou amassar.
Escolhido o tecido, é hora de decidir a prega, que pode ser do tipo americana ou wave, entre outras opções. Gisele diz que algumas pessoas ainda optam por usar xale, pendente e até estampa na cortina, mas a maioria tem apostado na simplicidade, com tecidos em cores neutras, que não comprometem a decoração.
A arquiteta Patrícia Cillo lembra que cada tipo de prega exige uma quantidade de tecido. "Tem que seguir a recomendação do cortineiro. Se o cliente decide por conta, pode ficar com a cortina sem volume ou o efeito desejado. Uma cortina com pouco tecido fica pobre e aquela com tecido demais fica brega", avisa. Seguindo todas as orientações das especialistas, é possível ter cortinas em excelentes condições de uso por 10 anos ou mais.


