''Os pais querem que o filho seja perfeito, então, têm dificuldade de aceitar qualquer coisa que não corresponda às suas expectativas'', afirma a psicóloga Maria Zilah da Silva Brandão. Ela explica que é importante pensar na reação dos pais como uma frustração que aconteceria em diversas outras situações. No caso do homossexualismo, porém, na maioria das vezes o preconceito dos próprios pais interfere nessa reação, aumentando o temor de que os filhos sofram por assumir sua opção sexual. ''Assim que tomam conhecimento, os pais ficam desnorteados. Temem que o filho não vá ser aceito pela sociedade, não consiga ter sucesso profissional, nem um relacionamento duradouro'', explica.
Segundo Maria Zilah, três tipos de reações são mais típicas: os pais que aceitam, conversam e apóiam; os que apóiam, mas não permitem uma expressão sincera; e os que rejeitam e excluem o filho, sem conseguir superar essa realidade. ''Muitos acham que é possível reprimir, mas a um custo horroroso. O filho acaba deixando de se manifestar na frente deles, o que dá uma falsa impressão de que ele mudou. Mas isso não significa que ele tenha deixado de ser homossexual, e tem o agravante de que ele percebe que não é aceito pela família'', alerta.
Outra tendência dos pais de homossexuais é acreditar, inicialmente, que se trata de uma opção do filho. ''Os pais têm muita dificuldade em aceitar que não é uma escolha. O homossexualismo é decorrente de uma série de fatores, principalmente das relações ambientais, como o relacionamento familiar, com a vizinhança, na escola - da mesma maneira como são formadas as características pessoais, que são tão fortes e inerentes à pessoa que até parecem genéticas.''
Por isso, é preciso cuidado com o excesso de punições. De acordo com a psicóloga, os pais tendem a punir e a corrigir quando não gostam de determinado comportamento, muitas vezes apenas por ser diferente do idealizado por eles. ''Um filho que é muito criticado e punido começa a achar que tem algo de errado, e isso é péssimo para a formação da auto-estima'', ressalta, lembrando que a autoconfiança e a auto-estima são formadas, em especial, pelas relações com os pais. ''Uma pessoa que gosta menos de si dificilmente vai afastar as coisas que lhe são prejudiciais, porque não vai se achar merecedor de coisas melhores.''
Medo - ''A repressão desagrega, prejudica'', avisa. O jovem, que já está com dúvidas em relação a si mesmo, acaba ficando com medo de se relacionar, e se sente menos preparado para enfrentar o preconceito. ''Os pais acham que se apoiarem vão estar estimulando, e que o filho vai ser 'mais' homossexual, ao passo que, se repreenderem, ele vai ser 'menos' homossexual. Confundem apoio com estimulação'', alerta, ressaltando que esse é um ponto crucial. Vale lembrar que só a aceitação e o apoio dos pais não são garantia de felicidade, mas aumentam a probabilidade de o filho se tornar uma pessoa melhor, capaz de ter uma vida mais estruturada.
O preconceito em relação à orientação sexual, porém, é cada dia menor. ''Os homossexuais têm conseguido mostrar que são homens e mulheres capazes de ser bons profissionais e cidadãos como quaisquer outros. Já não se tem mais aquela idéia de que eles são marginalizados e vivem na promiscuidade'', compara. A tendência, segundo ela, é de que, com o passar do tempo e com as mudanças na sociedade, o preconceito se reduza cada vez mais, até sua extinção.

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