Ação e reação
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 10 de abril de 2008
Denise Ribeiro<br> Equipe da Folha 
Este mês, dois casos de assaltantes mortos por taxistas chamaram a atenção. No mais recente, sete taxistas foram presos acusados sob suspeita de terem linchado Eduardo Cordeiro de Lima, com a colaboração de outros 18 profissionais da categoria, no bairro Sítio Cercado, em Curitiba. Os suspeitos já estão em liberdade e devem responder por homicídio. O inquérito instaurado no 10º Distrito Policial ainda não foi concluído.
Dois dias antes desse incidente, outra morte de um assaltante por taxista foi registrada em Colombo, na Região Metropolitana de Curitiba. O taxista Rafael Cristiano da Silva entrou em luta corporal com um dos dois criminosos que tentavam assaltá-lo. O revólver do assaltante Marcos da Silva Santos teria disparado durante a briga e ele morreu na hora. Em entrevista à FOLHA DE LONDRINA, o presidente do Sindicato dos Taxistas do Paraná, Pedro Chalus, fala sobre a reação da categoria aos assaltos e as ameaças que os taxistas vêm recebendo.
Folha de Londrina - Qual é a situação dos taxistas hoje, após os incidentes das últimas semanas?
Pedro Chalus - A partir daqueles fatos estranhos que aborreceram a categoria, a Polícia Militar e a Polícia Civil estão dando mais ênfase ao policiamento, à revista aos táxis no período da noite, e graças a Deus a gente não tem conhecimento de algum assalto a taxista nesse período até o dia de hoje (a entrevista foi realizada na última quarta-feira, dia 9).
Folha - O aumento do número de assaltos a taxistas vem ocorrendo desde quando?
Chalus - Sempre houve assalto. Inclusive há 35 anos houve, esse de fato, um linchamento em que o assaltante foi colocado pendurado por uma corda numa placa de sinalização. Então, quer dizer, não é de hoje que esses fatos acontecem. É que o taxista hoje é muito exposto à condição de ser assaltado, pela fragilidade.
Folha - Quando vocês criaram esse código para avisar os colegas pelo rádio quando há situação de perigo?
Chalus - Esse sistema de código foi implantado em 1995/96, aproximadamente. Houve uma recomendação da própria Urbs (Urbanização de Curitiba S.A.) de que se instalasse um sistema de código, alarme, comunicação, com a polícia para informar que o taxista estava em perigo.
Folha - Esse código tem sido eficaz? Foram evitados muitos assaltos por conta disso?
Chalus - Não totalmente porque até os próprios policiais não sabem, não são informados como é que funciona o código. Não é repassado para a tropa esse sistema de alarme contra o assalto. Eu estive conversando com alguns policiais e eles não sabiam explicar como funciona esse sistema.
Folha - Vocês têm uma estatística dos assaltos e tentativas?
Chalus - Nós não temos estatística. Essa estatística deveria ser feita pela Polícia Civil, porque é quem recebe todos os BOs (Boletins de Ocorrência). Em todas as ocorrências de assaltos são feitos BOs. Então compete à Polícia Civil e à Secretaria de Segurança Pública elaborar uma estatística de quantos assaltos, de quantos crimes são cometidos em Curitiba.
Folha - A vulnerabilidade dos taxistas à violência é algo que vem se acentuando? Ou está em evidência agora por conta da repercussão dos últimos incidentes?
Chalus - Cada ano que passa está aumentando a criminalidade em Curitiba devido ao aumento desregrado da população e à falta de efetivo policial, de estrutura humana para acompanhar essa evolução da população de Curitiba. A Secretaria de Segurança Pública e o Governo do Estado do Paraná não estão acompanhando essa defasagem de material humano.
Folha - Essa revista nos táxis está sendo feita com que periodicidade?
Chalus - Nós não temos essa informação. São informações técnicas da Polícia Civil e da Polícia Militar, quais os horários, que dia. Eles é que estabelecem. Segundo informação do comandante da Polícia Militar, essas viaturas farão abordagem constantemente do taxista e de identificação do próprio passageiro.
Folha - A revista foi reivindicação dos taxistas ou uma sugestão da polícia?
Chalus - Foi uma reivindicação da própria categoria. Nós estamos reivindicando desde 1996/97 melhor segurança, mais intensificação do policiamento.
Folha - Quais as principais queixas dos taxistas de Curitiba ao Sindicato atualmente?
Chalus - É quanto ao sistema de fiscalização da Diretran e quanto à falta de segurança. Eles continuam naquela ansiedade. Não estão ainda seguros. A expectativa ainda persiste com referência à segurança. Embora esteja mais calmo. Mas eles não deixam de estar preocupados com a segurança da própria família deles.
Folha - Há ameaças aos familiares?
Chalus - Claro. Existem ameaças. Houve ameaças dos parentes dessas pessoas que foram vítimas de homicídio por taxistas. A gente está em contato constante com a Polícia Civil e com a Polícia Militar, tentando passar essas informações: quem são essas pessoas, quais os tipos de veículos que estão fazendo esse tipo de ameaças, para que a Polícia Militar e a Polícia Civil investiguem essas pessoas que estão fazendo essas ameaças como uma forma de coibir os taxistas a reagir.
Folha - Existe uma estratégia dos taxistas para se defender por conta própria das ameaças de assaltos?
Chalus - Não. Não existem facções, grupos de taxistas premeditando uma forma de reação, de como reagir a um assalto. Não existe isso.
Folha - Passado esse período de intensificação da atuação policial junto ao trabalho de vocês, o problema dos assaltos pode voltar?
Chalus - Pode. A qualquer momento. Se a polícia deixar de prestar segurança, não só para o taxista, mas para toda a população, vai voltar a acontecer tudo o que aconteceu até agora. Se a polícia não defende a minha família quem tem que defender sou eu. Se a polícia não me dá segurança, eu tenho que garantir a minha segurança. Então eu não sei qual vai ser minha reação se tiver um assalto comigo.


