Acampado incrementa voto ao PT
Arquivo FolhaLíderes do MST reunidos no Pontal: força de esquerdaUm dos exemplos apontados pelo cientista Romero Jacob na relação dos sem-terra com Lula é Paranapoema (PR), que integra o explosivo Pontal do Paranapanema (entre Paraná e São Paulo) o crescimento dos votos para Lula foi de incríveis 1.615%, num acampamento de 2.200 famílias em 1994. São fenômenos pontuais, mas que demonstram o potencial de mudança no quadro eleitoral que o MST pode ter no longo prazo, diz Jacob.
Getulina é outro exemplo. Em 1989, a cidade, com 5.578 eleitores, deu apenas 8% dos votos a Lula. Em 1993 e 1994, dois grandes acampamentos surgiram no município, o primeiro com 2.500 famílias e o segundo, com 2.300. A votação de Lula subiu para 21% do total, um crescimento de 108%, embora o eleitorado tenha decrescido em 17%. Em Mirante do Paranapanema (SP), também no Pontal, onde as invasões começaram em 1991, envolvendo até 1994 um total de 5 mil famílias, o petista subiu 79%.
O caso de Sandovalina sugeriu a Jacob um exercício de quanto o PT poderia se beneficiar nas eleições. O município aparece como o que Lula mais cresceu em São Paulo, na eleição de 1994 - 513%, embora não houve ocupações.
Isso aponta para um trabalho de preparação do MST na área, avalia Jacob. Ele analisou, então, o desempenho de Lula no total dos municípios em que houve ocupações de 1989 até 1997. Resultado: da soma de 686, ele subiu em 516 e caiu em 101, com uma média de 84% de crescimento - ainda acima da média nacional.
Os dados do MST apontam a existência, hoje, de 339 acampamentos, com um total de 60 mil famílias. Cerca de 30% dessas famílias ocuparam terras este ano, calcula Gilberto Portes, do MST. Em Pernambuco, que, em 1994, apresentava 1.038 famílias em invasões, nos números da CPT, pulou para 12.363 famílias, segundo o MST. Pela lógica, o PT poderia se beneficiar.
Mesmo isso, para Jacob, não seria o suficiente para mudar a tendência eleitoral de um Estado como São Paulo, cuja capital, em 1994, foi responsável por 4.954.000 votos. Nas grandes capitais que se decide uma eleição nacional - mas nelas, os problemas de imagem do MST são mais agudos. Em março, o Ibope mostrou que 59% dos entrevistados desaprovavam a invasão de terras, associada à violência. (A.E.)





